94.000.000. Olhando para tantos número parece brincadeira se os associarmos um simples jogador de futebol. Simples não é bem a palavra que se deva aplicar a Cristiano Ronaldo, galático nas suas qualidades, mas adequa-se se olharmos para crise que a todos toca.
O internacional português merece ser bem pago (a excelência exige por si mesmo o reconhecimento devido nomeadamente salarial) mas o valor que o Real Madrid vai pagar ultrapassa os domínios da decência. Um clube com um passivo superior a 600 milhões de euros, um presidente deslumbrado que "saca" créditos com a mesma facilidade que Ronaldo marca golos e um jogador que só pode estar a rir-se de lhe fazerem todas as vontades.
Não é só Ronaldo que se está rir enquanto passeia por Los Angeles. O Manchester também tem razões para isso. O ciclo estava fechado e outra oportunidade melhor não teria para fazer um negócio desta natureza.
A transferência do século fez uns lançar o alerta para o risco de inflacionar de forma desmedida e totalmente irracional os passes, outros caíram no ridículo de chorar a saída de um futebolista de um clube (como o primeiro-ministro britânico Gordon Brown) quando deveriam ter outras preocupações. Parece que tudo passou para segundo plano (até a pandemia). Nesta altura pouco mais interessa a não ser Ronaldo e as férias.
É um escândalo sim por mais argumentos que venham sobre os possíveis retornos financeiros. Jamais serão suficientes. Mas não nos iludamos. Alguma vez a ética interessou?