Na última crónica de 2012 surge o momento de fazer um balanço sobre as principais revelações, surpresas e desilusões do futebol nacional. Eis os destaques.
Vítor Pereira. Treinador do ano. Contra tudo e todos, sagrou-se campeão nacional numa temporada difícil. É certo que cometeu erros, mas aprendeu com os mesmos e levou o FC Porto à conquista do principal objetivo. A equipa evoluiu e hoje apresenta um futebol coeso. Vítor Pereira merece o reconhecimento.
Paulo Bento. Excelente Euro’2012. O selecionador teve mérito na forma como montou a Seleção e na garra que incutiu aos jogadores, sendo apenas batido por penáltis, nas meias-finais contra a Espanha. No entanto, a qualidade de jogo portuguesa na campanha de qualificação para o Mundial baixou muito. Há muito para retificar.
Pedro Proença. Ano inesquecível. Enquanto aqui se discutiam as vicissitudes de um fora-de-jogo difícil de julgar, a UEFA consagrou o juiz português nomeando-o para as finais da Liga dos Campeões e do Campeonato da Europa. Uma prova de confiança que atesta a qualidade e esforço de um árbitro da elite europeia.
Paulo Fonseca e Nuno Espírito Santo. Boas indicações em ano de estreia. Paços de Ferreira e Rio Ave praticam um futebol de qualidade, com forte atitude competitiva e sem amarras defensivas. Os lugares europeus que as equipas ocupam na Liga podem ser uma realidade no fim da época, graças ao dedo destes jovens treinadores.
Hulk e Witsel. Vendas históricas. Quando já ninguém esperava, FC Porto e Benfica obtiveram encaixes financeiros fantásticos, e ainda mais na atual conjuntura, com a venda das duas estrelas maiores da liga anterior. Dois jogadores de top que mereciam mais do que a Rússia.
Académica. Sentimentos contraditórios. A Briosa atingiu feitos históricos, com a conquista da Taça de Portugal e participação na Liga Europa. No entanto, a prestação na liga foi péssima: em 29 jogos só venceu 3. Muito pouco para uma equipa que tem jogadores como Ricardo, Flávio, Cleyton, Wilson Eduardo, Edinho e Salim Cissé.
Cardozo, João Tomás e Jackson Martínez. Três pontas-de-lança que deram nas vistas. O benfiquista e o vila-condense atingiram a notável marca dos 100 golos na Liga. Já o portista foi uma bela surpresa. Pegou de estaca e foi um abono de família no Dragão.
José Mourinho e Cristiano Ronaldo. Glória aos vencedores. Os dois ajudaram o Real Madrid a derrubar a super equipa do Barcelona no campeonato espanhol. Campeões com mérito. As coisas correm agora menos bem, mas ambos têm capacidade para dar a volta por cima.
José Peseiro. Nota artística. Os resultados nem sempre acompanharam o bom futebol do Sp. Braga. A eliminação na Liga dos Campeões foi um duro golpe, mas a vitória sobre o FC Porto na Taça de Portugal devolveu a esperança. A evolução de Éder tem sido fantástica.
Frustrações. Abaixo do esperado. No FC Porto, Rolando ficou meio ano sem jogar e Kléber tarda em mostrar valor. Nolito e Bruno César perderam espaço no Benfica e não deram continuidade à época de estreia. Em Alvalade, os valores investidos em Marcos Rojo, Elias e Jeffren ainda não tiveram correspondência em campo.
Sporting. Bateu no fundo. A segunda metade de 2012 é inimaginável para um clube com a grandeza do Sporting. O investimento do ano anterior não surtiu efeitos. Não se deu tempo à equipa para crescer e faltou uma liderança forte. As meias-finais da Liga Europa, o novo manager e o regresso à aposta na formação acabaram por ser as únicas boas notícias.
O CRAQUE
Dá pouco nas vistas, é silencioso, mas cumpre a missão com a maior das limpezas. Numa altura em que Rolando saiu das opções e Maicon se lesionou, Nicolás Otamendi assumiu-se como o patrão da defesa do FC Porto. A jogar na esquerda ou na direita, o central argentino não vacilou e transmitiu tranquilidade para os restantes companheiros. A sua baixa estatura é compensada pela boa marcação e rápida antecipação com que aborda cada lance. Tem ainda capacidade para sair várias vezes a jogar com a bola nos pés e lançar o ataque da equipa. É o ano da sua afirmação.
A JOGADA
Por via da escassez de recursos financeiros, os clubes portugueses estão finalmente a apostar no lançamento e valorização de jovens jogadores. Este é um dos campeonatos que, nos últimos tempos, tem revelado mais atletas promissores. As equipas B, como se tem visto no Benfica e no Sporting, poderão intensificar ainda mais esta tendência. Destacaria talentos como Atsu (FC Porto), Ola John (Benfica), Filipe Augusto (Rio Ave), Ricardo (V. Guimarães), Rúben Ferreira (Marítimo), Abel Camará (Beira-Mar) e Ricardo Ribeiro (Moreirense). E mais poderão vir a ter a sua oportunidade.
A DÚVIDA
O mérito de Nuno Espírito Santo no comando do Rio Ave é inegável. Mas a ascensão dos vila-condenses também tem a mão de... Jorge Mendes. O agente está a colocar no clube alguns atletas de nomeada, sendo Bebé, proveniente do Manchester United, a joia mais recente. Funcionará a equipa como um entreposto de jogadores representados por este conhecido empresário? E o que ganha o clube, que antes lutava pela manutenção, com esta relação? Passará a ser uma das principais forças da Liga portuguesa?