Anderson sem estaleca

À chegada a Lisboa após as férias, o central benfiquista Anderson reforçou a ideia de querer sair do clube da Luz. É uma posição legítima, pois todos os profissionais devem procurar as soluções que considerem mais interessantes para as respectivas carreiras. Logo, se o futebolista pensa que é melhor mudar de ares, pode e deve dar conhecimento do seu desejo à entidade patronal.

Tendo em conta o fraco rendimento patenteado na época anterior – nomeadamente quando a equipa estava órfã de Luisão -, o central perdeu muito do seu estatuto junto de técnicos, dirigentes e adeptos. As críticas não se fizeram esperar e, como é público, Fernando Santos passou a dar mais atenção às prestações do jovem David Luiz. Facilmente se percebeu que na cabeça do treinador a dupla do eixo defensivo para a temporada 2007/08 seria, em condições normais, formada por dois brasileiros, embora nenhum fosse Anderson.

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Parece-me perfeitamente normal que o futebolista tenha entendido a mensagem. Até porque foi bem explícita. Todavia, uma eventual venda de Luisão talvez fizesse alterar o cenário. Contudo, as águias não negociaram o passe do antigo atleta do Cruzeiro (a lesão deve ter feito diminuir o número dos interessados, assim como o valor das propostas) e ainda foram a Itália recrutar Zoro, jogador polivalente que pode actuar como lateral direito, mas que é... central de raiz.

Anderson, mesmo de férias, teve noção que voltaria a ser segunda opção. Tal como foi a época passada até Ricardo Rocha ser vendido ao Tottenham. Colocado perante este “filme”, o jogador não se mostrou disposto a lutar por uma oportunidade. Preferiu começar a falar em sair. É uma opção, repito, totalmente legítima. Penso é que não precisava de surgir acompanhada de explicações para entreter.

O jogador pretende, acima de tudo, estar numa equipa onde possa ser sempre titular, embora esse estatuto não exista, por decreto, em lado nenhum. Escusava era de justificar os desempenhos menos conseguidos e/ou a vontade de sair com o facto de jogar mais descaído para a direita ou esquerda. Argumenta o rapaz que, em Portugal, nunca teve oportunidade de jogar na posição onde mais rende. Até pode ser verdade esta teoria, mas não me lembro de a ter ouvido quando Anderson, ao lado de Luisão, era presença constante na equipa e merecia o apoio dos adeptos e os elogios da crítica. Tal dificuldade só veio ao de cima quando passou a jogar de forma sofrível e, consequentemente, a perder importância no seio do plantel.

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Mais do que ter problemas em jogar aqui ou ali, Anderson revelou não ter estaleca para competir por uma posição num clube que pretende ter várias opções de qualidade para atacar as provas em que vai participar. Mais: demonstrou não acreditar no seu potencial para fazer frente a jogadores como Luisão, David Luiz ou Zoro. Com esta opção estratégica, apenas deu os últimos trunfos a Fernando Santos. Assim, é provável que o Benfica esteja tanto ou mais interessado que Anderson no “divórcio”.

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