É consensual que Bruno Paixão fez uma má arbitragem. O árbitro do Sporting-FC Porto reincidiu um trabalho de fraca qualidade, prejudicando não especificamente uma equipa mas o espectáculo. Foi pena que a equipa de arbitragem não tenha correspondido ao esforço, entrega e boa exibição das duas equipas.
Finalizado no relvado, o espectáculo prossegue. Paulo Bento fez algumas declarações menos felizes - "Se tivermos de lhes criar um mau ambiente não tem problema nenhum porque é o que merecem" - mas "compreende-se" o contexto. Fê-lo a quente, agastado por erros sucessivos de Bruno Paixão e desiludido por um dos objectivos da época ter sido falhado.
Nalgumas coisas, Paulo Bento tem razão: a arbitragem portuguesa é má. Erra demasiado, tem protagonismo a mais, é uma actividade com um corpovaritismo que, cego, não a protege porque não lhe reconhece a culpa. Em vez de defender, contra-ataca.
António Sérgio, presidente da APAF, tem direito a ficar indignado com as afirmações do treinador do Sporting mas também lhe ficava bem reconhecer, no mínimo, que há dias menos felizes dos árbitros.
Aos olhos de quem gosta de futebol, Bruno Paixão só sai fragilizado por não o fazer. A auto-análise é essencial para o sucesso. Esconder a cabeça na areia nada resolve por mais razão que se tenha.