Há para aí candidatos a Mourinho que nunca mais acabam. Quero dizer, treinadores jovens, com pêlo na venta e ambição desmedida. José Couceiro, Carlos Carvalhal, José Carlos Pereira, Luís Campos ou o próprio Litos têm demonstrado apetência para seguir na esteira do actual técnico do Chelsea, embora os dois primeiros estejam claramente à frente desse pelotão. Couceiro mais do que Carvalhal - basta ver o modo de actuação das respectivas equipas para se entender que assim é. O treinador do Vitória gosta do risco, está a 2 pontos do líder e entra para ganhar em qualquer campo. O ataque sadino, o melhor da SuperLiga, com 14 golos, já marcou por 10 (!) vezes no terreno do adversário, onde (em quatro jogos) a equipa ainda não foi derrotada. Já o técnico dos azuis - que prometeram muito mas já levam 6 pontos de atraso - arrisca pouco e joga para não perder. Sem êxito, já que, também em quatro partidas fora, ainda não ganhou. Com jogadores rápidos à frente, só em casa o Belenenses evidencia capacidade atacante. Para seguir na esteira de Mourinho é preciso mais do que vontade. O talento também faz falta.
1. Karadas
Perante as evidências, tenho que me render. Escrevi aqui há oito dias que esse tal de Karadas só dava azar, quando afinal o homem se está a revelar um goleador à medida do Benfica. Marcou aos holandeses, marcou aos madeirenses - e não foram coisa mixuruca, mas sim dois excelentes tentos -, afinal o que é que se poderia esperar mais do possante avançado norueguês? Agora, com o "regresso" de Nuno Gomes e Sokota aos golos, o Benfica, que se lamentava da falta de pontas-de-lança, ficou nada menos do que... com três! Melhor, só o FC Porto, que tem quatro. Mas se olharmos para o rival Sporting que, além do Liedson, só tem mais o... Liedson, aquele trio é obra. Trap está com sorte.
2. Antchouet
A estrela gabonesa do Belenenses cria oportunidades de concretização com uma fartura se calhar única na SuperLiga. Se tivesse êxito em metade das hipóteses de golo de que dispõe também já não vestia de azul, é verdade. Mas aquele falhanço de sábado foi particularmente doloroso para os adeptos do Belém, tanto mais que a equipa quase não deu uma para a caixa e podia ter alterado a sorte do jogo com um golo caído do céu. Antchouet consegue escapar a um central do nível de Polga - um campeão do Mundo que o marcou com um acerto impressionante -, isolar-se, correr para a baliza e depois falhar o remate que o faria entrar no Paraíso. Dá Deus nozes a quem não tem... pés.
3. Ricardo
Temos de ser justos: o titular da baliza do Sporting e da Selecção não é um guarda-redes 100 por cento seguro. Como Vítor Baía, por exemplo, que nunca dá abébias a ninguém ou que, quando dá, faz o tempo voltar para trás, como se nada tivesse acontecido. Ricardo distingue-se, quanto a mim, em dois aspectos: a jogar com os pés e a não falhar nos momentos decisivos - o exemplo da vitória sobre a Inglaterra chega para o confirmar. E foi isso que voltou a acontecer agora em Alvalade. Ao sair aos pés de Antchouet, sozinho na sua frente com tantos minutos decorridos sem que o Sporting lograsse marcar, Ricardo compreendeu que tinha de o derrotar. E fê-lo, com frieza. E imensa categoria.
4. Ferreira & Mendes
O melhor do Belenenses que teve em Alvalade uma má prestação foram as declarações de Carlos Carvalhal no final da partida, quando se recusou a comentar erros de arbitragem, entre os quais o da marcação do canto que proporcionou a marcação do grande golo dessa autêntica preciosidade que dá pelo nome de Liedson. Esteve bem o técnico azul, o que não quer dizer que o trabalho do apitador tenha sido grande espingarda. Estou a lembrar-me do Juninho Petrolina - o melhor é ele ir à bruxa, ou queixar-se à Presidência da República ou ao ministro Rui Gomes da Silva, quando não os árbitros portugueses nunca mais o deixam jogar... - que correu pelo lado direito, adiantou a bola a Polga e levou uma ripada quando ia entrar na área. Nada aconteceu, disse João Ferreira, já Árbitro da Jornada depois daquele cómico cartão amarelo a Liedson, como castigo por Marco Aurélio ter tropeçado em Marco Aurélio... Eles falam, falam e não os vejo fazer nada, com certeza que fiquei chateado - como diz aquele mocinho do anúncio. Mas no domingo, quando vi na Luz o árbitro levantar a mão para livre indirecto e depois confirmar o golo nascido de um livre... directo, conformei-me. Moreira tocou na bola, disse Mário Mendes. Boa piada!
5. McCarthy
São as voltas desta vida. Às vezes, as pessoas subalternizadas, sabendo que foram injustiçadas, afogam-se no seu próprio pranto e apagam-se - nunca mais são ninguém. Mas, noutros casos, a marginalização transforma-se num tónico que faz com que o perseguido passe a perseguidor. Foi o que se passou com o avançado sul-africano, amante da "dolce vita" de Vigo, que passou de dispensável a... indispensável, tal a veia goleadora que exibe, "demasiada", de momento, para a juventude de Postiga e Almeida, ou para um Derlei ainda curto. E McCarthy deixa Fernández entre a parede e a espada: atreva-se o espanhol a tirá-lo do onze e a não ganhar o jogo, que vai ver como elas lhe mordem...
Não se responde a quem não existe...
Alguns amigos chamam-me a atenção para algum exagero no tom por vezes utilizado para responder às "provocações" que o nosso principal concorrente dirige a Record - como sempre faz quando, perdendo nos números apresentados pelas entidades controladoras de vendas e audiências, tenta demonstrar que ainda é aquilo que já foi: o maior jornal de desporto do País. Admito a razão dessas críticas, tanto mais que Record tem procurado, em momentos mais delicados, distinguir-se pela serenidade e pela contenção. Aliás, o que fazemos quando os ataques ao nosso jornal, não tendo origem num concorrente que nos dá luta e nos estimula, provêm de adversários menores, movidos não pela saudável disputa da liderança da imprensa desportiva, mas por uma mesquinha ânsia de protagonismo. Esses, se pisarem o risco, terão resposta apenas em tribunal. A audiência média de Record de 745 mil leitores/dia, que tanto os irrita, é nossa, não deles. Continuem a escrever parvoíces, sempre nos vamos rindo à conta!