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Arbitragens são uma fraude

Arbitragens são uma fraude

Aarbitragem do japonês Yuichi Nishimura, no jogo inaugural do Campeonato do Mundo, deixa claro por que razão os máximos guardiões do futebol querem conservar o sistema de nomeações tal e qual como se apresenta na maior parte dos países do Planeta, e não pode evitar a conclusão segundo a qual, por todos os motivos, e principalmente pelas tensões sociais à volta da competição, o Brasil não poderia deixar de ganhar o jogo de abertura. O (falso) penálti, que virou o encontro a favor da canarinha, foi um penálti político. Um penálti de celebração da união entre a FIFA e Dilma. Um penálti de conveniência. Um penálti para segurar o Mundial e o povo. Um penálti para animar as gentes. Um penálti para (tentar) sossegar os espíritos mais rebeldes. Um penálti para garantir o negócio. Um penálti de pouca-vergonha. Um penálti que justifique os 14 mil milhões gastos na Copa. Um penálti salvador. Um penálti que não nos deixa olhar, suavemente, para o jogo e só para o jogo. Um penálti que não nos pára de fazer recordar a máquina (perversa) que está ao serviço do negócio. Se alguém tinha dúvidas, depois do jogo inaugural do Campeonato do Mundo, o Brasil precisa de ser levado ao colo. Por Blatter. Por Dilma. Pela manutenção do embuste à escala mundial. E pela paz (podre, podríssima).

Oárbitro para o primeiro jogo da Copa, que envolvia o Brasil, nunca poderia ser sorteado. O árbitro para o primeiro jogo da Copa não poderia ser, provavelmente, um dos árbitros com melhor currículo. Por isso, vence o critério da nomeação. Suficientemente subjectivo para ser aplicado conforme o interesse específico. Por isso, à escala global, os critérios das nomeações são pouco escrutinados e debatidos. Resistem a discussões de massas e de cafés. Até se divertem com isso. No Brasil-Croácia, apareceu um árbitro japonês. Com 42 anos e fraco currículo para um árbitro FIFA. E com alguns episódios envoltos em polémica. Estava a Croácia a surpreender, num período de ligeira retoma da selecção brasileira, quando apareceu – segundo a própria crítica verde-amarela – o “anjo japonês”. Lovren toca no ombro de Fred e este atira-se para o chão. Árbitro assinala o castigo máximo. Castigo máximo é uma boa expressão. Não há castigo maior do que uma equipa se ver privada de discutir o jogo pelo jogo por causa de erros grosseiros de arbitragem. Neymar transforma o penálti. O Brasil respira de alívio. Dilma sorri. Blatter sossega. Niko Kovac, treinador da Croácia, diz que o Mundial pode tornar-se um circo...

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Mas ainda alguém tem dúvidas de que o futebol é e continuará a ser um circo, uma permanente degola dos crédulos e inocentes, enquanto não se achar uma solução para se impedir que os árbitros consagrem os chamados poderes invisíveis? O futebol é um jogo maravilhoso. Não pode continuar a ser desvirtuado na sua verdade desportiva, mantendo a arbitragem cristalizada, no sentido oposto à evolução das sociedades, em cada dia mais actualizadas em função do aprimoramento das ferramentas tecnológicas.

Ofutebol não é apenas um jogo que não merece este atavismo. É um jogo de milhões. É esse jogo de milhões que muita gente já percebeu que é um jogo de enganos. Principalmente para as pessoas que apenas querem ver o jogo. A FIFA, acusada por todos os lados de ser uma das maiores promotoras de corrupção à face do Planeta, não quer mexer num assunto tão simples.

Este assunto da arbitragem, que deveria ser um exercício de rigor, talvez se enquadre na génese da FIFA e na sua incapacidade de se regenerar. Não se pode aceitar que se relativize a discussão em torno de um penálti. Um penálti é mais do que um pontapé a 11 metros da baliza. Um penálti é um golo quase certo e, com ele, muda-se a história de um jogo. Conquista-se uma vitória e, com ela, ganha-se muito dinheiro. As decisões por isso têm de ser boas. Por isso, há que criar um sistema que seja falível e que não faça da arbitragem um elemento perturbador da verdade desportiva. Sendo assim, quando se assinala (ou não) um penálti, porque podem estar em causa milhões de euros, como é o caso de um Campeonato do Mundo, não pode ser por instinto ou... porque...

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No Brasil-Croácia não foi apenas o lance (determinante) do penálti, que tudo mudou. Foi também o lance do terceiro golo, precedido de falta (Ramires sobre Rakitic) – e a forma como o árbitro geriu a partida... Nada muda, de Mundial em Mundial. A tecnologia de linha de golo (presente pela primeira vez num Mundial) é um avanço, mas não chega. E não pode tapar o sol com a peneira. As arbitragens dos 3 primeiros jogos do Mundial não poderiam ser mais reveladores: o rei vai nu. E assim a fraude instala-se e domina o regime.

JARDIM DAS ESTRELAS (****)

Holanda demolidora

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O primeiro destaque pela positiva deste Mundial vai para Van Gaal e seus pupilos. Grande Holanda, bonita e graciosa, fresca e encantadora, com dois jogadores em plano de destaque: Van Persie e Robben. Cilindrou uma Espanha bafienta e corcunda, amplamente desgastada, que parece ter feito um pacto com Mourinho para a revelação da verdade em relação a Casillas: há melhor do que ele! Rakitic e Modric foram o perfume do futebol croata que o árbitro japonês anulou. A magia dos jogadores não pode ser atraiçoada por erros de apreciação que podem ser evitados na hora. E, por favor, não venham com a estória dos erros dos jogadores e dos treinadores, porque são coisas que não se podem comparar. Honras também para Neymar e a certeza de que o Brasil já teve muito melhores equipas.

O CACTO

Falência

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O futebol não pode resistir sem se resolver o problema das arbitragens (ler peça principal). Foram demasiados os erros no Brasil-Croácia, México-Camarões e Espanha-Holanda. Desde o Mundial de 2002, e depois de ter confiado demasiado na regeneração do futebol, pela sua autorregulação, que não acredito neste sistema. Por isso, defendo a introdução das novas tecnologias -- uma forma de evitar os erros grosseiros e de atenuar os atropelos à verdade desportiva. É preciso provar mais alguma coisa?!

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