Ainda não estão cumpridas na íntegra as três primeiras rondas da Liga e, para não variar, a discussão em torno da arbitragem já está ao rubro. Erros para todos os gostos e feitios têm deixado muita gente à beira de um ataque de nervos, de jogadores a técnicos, de dirigentes a adeptos.
O País futebolístico já deixou o "Caso Mateus" para trás. O que interessa, por agora, é discutir os erros dos homens do apito e saber quem tem sido mais prejudicado ou beneficiado. E, atente-se, o campeonato está apenas no começo. Com esta "embalagem", imagine-se o que estará por vir...
Promovemos aqui no Record Internet um inquérito sobre o assunto. A votação, bem concorrida como já se previa, aponta a incompetência como a causa principal dos erros dos árbitros. Este é, para cerca de 45 por cento dos votantes, o mal maior. Estou inteiramente de acordo.
Faço questão de dizer, desde já, que não acredito na seriedade de todos os árbitros. Alguns, ao longo dos anos, têm coleccionado tantos disparates que fica difícil admitir que não o tenham feito de propósito. Mas, antes de ser acusado de estar a colocar em causa toda uma classe, assumo que isso é um mal geral. Gente sem escrúpulos disposta a receber algo para facilitar determinada situação é, hoje em dia, uma situação normal. Em todas as actividades, em todos os países. Sem excepção, infelizmente.
Mas, como sugere a opinião do público, também penso que a incompetência é que está, maioritariamente, na origem de tanta confusão, embora também tenhamos de considerar que alguns erros existem porque ninguém é perfeito (quantos erros fazem os futebolistas no decorrer de uma partida?).
Por muito que isto custe admitir, a verdade é que temos (e sempre tivemos...) juízes fracos a dirigir jogos de futebol (e de outras modalidades). E alguns, veja-se bem, até conseguem atingir o principal escalão. Como? Também não sei. Apenas constato o óbvio: são maus e, como tal, não deviam ter acesso a embates que arrastam milhares de pessoas aos estádios, que prendem a atenção de milhões via televisão.
João Ferreira, sem ter sido o único a errar até ao momento, tem contra o si o facto de ter falhado em dois jogos seguidos. E logo em embates envolvendo Benfica e Sporting, os clubes com mais adeptos. Tem culpas no cartório? Claro, mas não é o único. Quem é que resolveu indicá-lo para o Bessa, depois das célebres escutas telefónicas terem deixado o árbitro numa situação incómoda? Quem é que considerou lógico mandá-lo para Alvalade depois da polémica no jogo entre axadrezados e águias? Pois, os responsáveis por estas belas decisões lá vão escapando ao coro de protestos...
Para mim, como aqui escrevi atempadamente, João Ferreira corria riscos sérios em ir dirigir o Sporting-Paços Ferreira. Não me enganei. Só é pena não ter estas previsões em relação aos números do euromilhões...
Está na hora (já está há muito...) de a arbitragem ser encarada de outra forma. A profissionalização é o caminho. Só assim se pode dar estabilidade a quem tem um papel tão importante num jogo. Só transformado a arbitragem numa profissão se pode, com justiça, premiar os melhores e afastar os piores. Como em todas as profissões.
O recurso à ajuda tecnológica também deve ser encarado como uma solução fulcral. Se isso é usado (e com sucesso) no râguebi, no ténis ou na NBA, porque razão Blatter e companhia continuam a assobiar para o lado? O argumento de que isso pode retirar o encanto do jogo é uma imbecilidade. O que retira o interesse sobre uma competição é saber, antecipadamente, que os responsáveis não fazem tudo para a tornar mais séria e transparente.
Infelizmente, os senhores da FIFA continuam mais preocupados com assuntos que não lhes dizem respeito...