.
Mais do que discutir arbitragens em favor e prejuízo deste ou daquele clube, o grande cerne da questão deveria estar no papel que hoje é atribuído aos observadores de árbitros em Portugal. Ninguém conhece o currículo, experiência ou competências destes responsáveis, mas são eles que determinam, por via das suas (pouco uniformes) avaliações, quais os juízes que sobem e descem de categoria e a quem se dão as insígnias de árbitro internacional.
Ao contrário da exposição mediática a que os árbitros são sujeitos, os observadores passam completamente despercebidos, apesar de terem uma missão tão ou mais importante do que os homens do apito. A incoerência nos critérios de avaliação, que tanto premeia más prestações como penaliza boas exibições, é alvo de crítica constante em todas as épocas, e deveria merecer uma maior atenção das entidades responsáveis pelo futebol português.
Ainda recentemente, o juiz do FC Porto-Benfica da Taça de Portugal, partida que, segundo rezam as crónicas, teve uma arbitragem positiva sem influência no resultado, foi avaliado com uma nota de 2,5 numa escala que vai de 1 a 5. Já no Benfica-Sporting da época passada, que teve uma arbitragem desastrosa, a nota do árbitro foi de 3,7. Esta situação acontece quase de semana para semana. Alguém consegue explicar, de forma lógica, como pode isto acontecer?
Não é fácil criar um sistema de avaliação de desempenho que dependa de uma elevada dose subjetividade. Mas aparecerem notas tão diferentes para exibições tão díspares mostra que algo não está a funcionar corretamente. Ou os critérios variam de observador para observador, o que não faz qualquer sentido, ou então só podemos concluir que alguns destes responsáveis não têm qualquer competência para desempenhar o cargo que ocupam. Este cenário apenas contribui para desvirtuar a classificação dos árbitros e pode perturbar as suas atuações em campo, já que o mérito do seu trabalho nem sempre é devidamente avaliado e reconhecido.
Torna-se evidente que é necessário mudar a forma de recrutamento e preparação dos observadores de árbitros. E o debate em torno da profissionalização dos árbitros deveria igualmente abranger os observadores, estas figuras enigmáticas sobre as quais é depositada a responsabilidade de avaliar toda uma classe. O futebol só teria a ganhar com uma maior transparência neste âmbito, conhecendo-se as caras e o mérito profissional de todos os seus intervenientes.
Em tempos, Pedro Proença afirmou que ninguém entendia como é que uma má prestação poderia ter uma boa nota. Os próprios árbitros não compreendem as notas que recebem, sejam elas para mais ou para menos. E têm estado à mercê das notas dos observadores, que em muitos casos se trata de personagens sem qualquer passagem pelo mundo da arbitragem.
Afunção de observador deveria ser alvo de maior escrutínio. Por uma questão pedagógica, os mesmos deveriam explicar os critérios que utilizam e por que razão atribuíram determinadas notas aos árbitros. Também é por aqui que se pode trabalhar para a melhoria da arbitragem no nosso país.
Como entendo que os melhores árbitros devem ser designados para os melhores jogos, tendo a não concordar com a proposta de sorteio dos árbitros apresentada pelo Sporting, mas sou totalmente favorável ao sorteio puro dos observadores, sugerido igualmente pelo clube leonino. Seria mais um ato de transparência.
O CRAQUE
Uma bela carreira
Durante os anos 90, muito se falou da falta de pontas-de-lança no futebol português. Nuno Gomes (a par de Pauleta) veio contrariar essa lógica. Foi pela minha mão que Nuno Gomes se estreou na Seleção Nacional, num jogo com a França, vindo a tornar-se num jogador importante e com golos decisivos em grandes competições por Portugal. Os mais de 250 golos que marcou na carreira ilustram bem a sua qualidade: avançado rápido, forte nas desmarcações, oportuno e com sentido de baliza. Agora que pendurou as botas, podemos dizer que deixou uma marca importante no futebol português.
A JOGADA
O regresso do Boavista
O Boavista está de regresso à 1.ª Liga. Concorde-se ou não com a decisão, e por consequência, com o alargamento para 18 clubes, trata-se de um clube histórico do futebol português, que faz falta e merece o convívio entre os grandes. Historicamente, Benfica, FC Porto e Sporting sentiram sempre enormes dificuldades nas visitas ao Bessa, com jogos sempre muito disputados. Resta saber em que condições financeiras e desportivas se dará este regresso dos axadrezados. Conseguirá o Boavista formar um plantel competitivo em tão pouco tempo?
A DÚVIDA
O que se passa com Tiago Rodrigues?
Após uma brilhante época de estreia, na qual foi um dos pilares que levaram o V. Guimarães a vencer a Taça de Portugal e a apurar-se para a Liga Europa, Tiago Rodrigues foi contratado pelo FC Porto. Não tendo conseguido um lugar no plantel dos dragões, regressou à Cidade Berço, mas a época não está a ser fácil para o médio. Raras vezes foi titular na Liga e em 2014 o seu tempo de utilização nem sequer supera os 90 minutos. Que razões levaram um médio tão promissor a passar por esta travessia do deserto?