Opinião
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Armada espanhola contra Valentino Rossi

Valentino Rossi  é um corredor fantástico mas é humano. No GP da Malásia teve um dia menos bom. Mas não é culpado na totalidade. Tocou com a perna em Márquez que o provocou em ultrapassagens constantes para evitar que se aproximasse de Lorenzo.

Já estou habituado que os espanhóis funcionem, em entreajuda e se unam contra outro desportista melhor. Estou farto, de ver isso no ciclismo, na Volta à França deste ano, contra Chris Froom, mas Alberto Contador não teve pernas.

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Valentino Rossi tinha tudo contra si: Lorenzo, Márquez e Pedrosa, todos espanhóis, mas também os seus nervos . Teve uma atitude irreflectida mas não era para deitar ao chão Márquez. Era para lhe dar um aviso, reagiu ao seu comportamento tendencioso. Já antes quando o passou tinha levantado a mão em sinal de protesto. Márquez, na provocação constante, deixou passar Lorenzo e esperou por Rossi para um despique para saldar dívidas de corridas anteriores. É lamentável! Márquez ao aliar-se a Lorenzo é anti-desportivo mas difícil de provar.

É tradição quando há uma luta pelo título quem não está nessa disputa, deixa o caminho aberto para o fazer. Na Fórmula 1 é habitual os corredores que nada têm que ver com o título facilitarem a vida.

Márquez esteve ali para complicar a vida a Rossi, não lhe perdoa nos duelos com ele, perder sempre. Na Holanda, numa corrida fantástica, resolvida apenas na última curva, com toque e saída involuntária; na Argentina após toque de Márquez.

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O menino de 22 anos não aceita, assim como Lorenzo, que Rossi com 36 anos seja tão bom ou melhor do que eles. A sua passagem pela Ducati, com dois anos negros, ofuscou a sua hegemonia, mas agora está de volta.

Não entendo como ninguém viu ou não quer falar de Márquez deixar passar Lorenzo diminuindo a velocidade, até encontrar-se com Rossi e começar a disputa. O gesto de Rossi não é bonito, mas o que fez Márquez é o Karma. Foi um acto deliberado para atrasar Rossi e o provocar.

O que se passou com Rossi e Márquez comparo-o a um despique entre jogadores de futebol em que Rossi sempre a ser pressionado e a  não conseguir fazer o seu  jogo , as páginas tantas , empurra Márquez com as mãos e diz para ter mais calma. Todavia o árbitro só sanciona o que vê e mostra o vermelho a Rossi (três pontos no cartão, somados ao ponto que já tinha, obriga-o a sair em último na grelha de partida em Valência).

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No desporto nunca se sanciona quem provoca, mas sim quem responde. Quem provoca fica sempre ilibado. Quando Zidane deu uma cabeçada a Materazzi, na final do Mundial 2006 depois de constantemente provocado quem ficou mal visto foi Zidane

Para quem vê e decide não conta o provocador, nem o que desencadeia a reacção da provocação. É sancionado quem  retorque. O aviso de Rossi (chega-te para lá), se não desse em queda de Márquez não se falava mais nisso.

Verdade que Rossi com as suas declarações e jogo psicológico, antes do GP da Malásia, acicatou os ânimos mas as suas acusações estavam certas. Márquez prefere que Lorenzo vença o campeonato. Deste modo o campeonato está entregue a Lorenzo com a sanção imposta.

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Lorenzo acha que Valentino Rossi não merece ganhar o título. Mas Lorenzo também não merece ganhar o título pois não vale tudo e alianças espanholas para tudo fazer com que Rossi seja apeado desse título. Aos meninos custa muito que Rossi vencesse o seu 10.ºtítulo. Não é por este gesto que passa de ídolo a vilão. Tem que se ver em que contexto aconteceu e está plenamente justificado. Rossi é humano e não é de ferro. Rossi é único na história, um génio, um mito, uma lenda que transcende o motociclismo. O maior de sempre e ainda vai continuar a ser.

Eu no lugar de Rossi não corria mais na mesma equipa que Lorenzo. Ou Rossi ou Lorenzo, a Yamaha que decida. Lorenzo que vá para a Honda já que é tão amigo de Márquez.

Lorenzo tem a mania que é o arauto da verdade e da postura.  Teve o desplante de questionar a decisão da Direccção da Corrida que deveria ser mais pesada. Quer mandar em tudo e desculpar-se de tudo. Lorenzo apesar do segundo lugar nem festejou no pódio nem abriu a garrafa de champanhe. Queria que Rossi fosse excluído. Levou uma grande assobiadela e foi recebido friamente. Este ano, pode ganhar o Mundial, mas não consegue chegar aos calcanhares da popularidade de Rossi.

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Eu, no lugar de Rossi, para além da ameaça de não correr em Valência, não corria mesmo (porém, já veio dizer que estará presente). Os espanhóis que fiquem lá com o Mundial cozinhado a três.

Márquez  fez tudo para Rossi perder o campeonato. E conseguiu. Rossi sai mal deste filme mas Márquez também sai muito mal. Lorenzo é o pároco da Igreja espanhola unida contra o italiano. Lorenzo se vencer este Mundial precisou de aliados. Assim não vale.

Como diz Loris Capirosi  para Rossi é mais importante vencer Márquez e Lorenzo que um Mundial. E, este ano já o fez diversas vezes.

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Nota: Grande Miguel Oliveira em Moto 3 que venceu na Malásia e grande Sporting de Jorge Jesus que deu 3 sem resposta ao Benfica na Luz.

Por Joaquim Jorge
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