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As mãos e os pés de Binya

Mentiria se dissesse que considero Binya um grande talento futebolístico. Como sucede com a maioria, vejo com outro interesse e satisfação o desempenho dos criativos, dos marcadores de golos. É óbvio que entendo a necessidade das equipas contarem com os préstimos de operários menos virtuosos, aquela rapaziada que, em tempos, foi baptizada como “carregadores do piano”. Mas, tirando um ou outro desses especialistas que fazem o que lhes é pedido sem se esquecerem de jogar futebol, não penso em nenhum médio defensivo/trinco quando elaboro uma lista dos que me parecem ser os melhores atletas da actualidade.

Por outras palavras, creio que o camaronês do Benfica – como tantos outros em Portugal e no Mundo - deve sentir-se muito feliz por, sem ser um predestinado, poder ganhar a vida a fazer o que gosta. Alguém lhe devia explicar é que ser agressivo não precisa de ser sinónimo de cometer faltas em doses industriais. Seja pela dureza das infracções (a entrada de Glasgow será sempre recordada) ou pela repetição contínua das mesmas, custa imaginar ver o africano a jogar 90 minutos sem receber o amarelito da ordem. Ainda por cima, por cá, já se percebeu que alguns árbitros assinalam faltas quando ele as comete, mas também quando não toca em ninguém. Adiante...

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Curioso é constatar que Binya se transformou, de um dia para o outro, num dos principais “fabricantes” de golos do Benfica. E se isso é estranho por si só, mas invulgar se torna quando observamos que as assistências são feitas com as mãos. O já famoso lançamento lateral do médio voltou, na Figueira da Foz, a estar na origem de uma vitória encarnada.

Situação pouca vista em Portugal, apetece perguntar porque razão as outras equipas não utilizam os lançamentos para colocar a bola na área contrária? Nem sempre há-de proporcionar golos, mas parece-me ser bem mais inteligente optar por esta solução em vez dos passes de 1-2 metros que, claro, não embaraçam centrais, nem os guarda-redes contrários.

Um senão no caso de Binya: as imagens da TVI provaram, várias vezes, que o banco da Naval tinha razão em questionar a legalidade dos “cruzamentos com as mãos”. O jogador tem de ter os dois pés no solo aquando do lançamento e o médio benfiquista só cumpre “metade” da regra, visto que a perna direita acaba sempre... no ar. Situação a acompanhar com mais atenção pelos árbitros e a corrigir pelo atleta, de modo a não perder um trunfo que tem utilizado com toda a propriedade.

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