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Por estranho que possa parecer, o resultado da Seleção ontem foi melhor do que a exibição. Portugal entrou em campo como já não havia memória. Uma equipa descontrolada emocionalmente e incompetente em todas as fases do jogo: a defender, a atacar, em posse, em transição. Nos últimos anos, já perdemos vários jogos e tivemos exibições frustrantes, mas temos de recuar muito no tempo para nos recordarmos de uma Seleção tão desequilibrada. Se a tranquilidade e a previsibilidade são, para o bem e para o mal, a imagem de marca de Paulo Bento, na abertura do Mundial vimos uma Seleção bem distante das ideias do selecionador.
Pior do que a exibição só mesma a tentação de encontrar um bode expiatório para o que se passou em campo. O árbitro terá errado? Eventualmente ficou uma grande penalidade por marcar a nosso favor, mas isso aconteceu numa altura em que o resultado já estava feito. Externalizar a culpa é meio caminho andado para não sermos capazes de superar os problemas.
Em última análise, Portugal continua a precisar de fazer o mesmo que era necessário antes de jogar com a Alemanha – vencer os EUA e o Gana. O normal é perdermos com a Alemanha – provavelmente a equipa mais equilibrada e com menos pontos fracos de todas as que estão no Brasil –, o que já não é normal é perder como aconteceu ontem. O que tem consequências.
Continuamos a precisar de vencer, mas temos de lidar com as mazelas que ficam deste jogo. As mazelas emocionais e também as físicas. Numa equipa que se percebe, hoje, que está debilitada fisicamente, o estado anímico só vem tornar mais difícil os desafios em falta.
Mas, convenhamos, não há, ainda assim, nenhuma razão para não encararmos com otimismo os próximos jogos. Portugal é superior coletiva e individualmente aos EUA e ao Gana e o normal seria qualificarmo-nos em segundo lugar do grupo. É esse o desafio de Paulo Bento até domingo: devolver o grupo à normalidade e tratar o jogo de ontem como um episódio excecional, mas que, por isso mesmo, deve ser motivo de reflexão.