No final do Sporting-Heerenveen, embate em que os leões asseguraram a qualificação para os 16 avos-de-final da Liga Europa (mesmo não sendo capazes de bater um conjunto acessível), Liedson manifestou-se desagradado com o sistema táctico que o novo treinador está a tentar introduzir na equipa. Mais: o avançado chegou ao ponto de sugerir que Carvalhal coloque outro jogador no seu lugar por considerar que não está a ser capaz de ajudar a equipa com golos.
Liedson tem toda a legitimidade para dizer o que pensa, bem como para preferir o modelo de jogo A em detrimento do B ou C. No entanto, creio que se precipitou ao tentar justificar o seu período de menor fulgor goleador com as recentes alterações estratégicas introduzidas - parcialmente - na equipa.
O luso-brasileiro afirma que é "complicado jogar sozinho na frente". Em teoria, tem toda a razão. Objectivamente, contudo, nem tanto. Pegando no exemplo de quinta-feira, será correcto afirmar que Liedson jogou isolado na frente de ataque? Não me parece! Foi, indiscutivelmente, o futebolista mais adiantado, mas não o único com funções ofensivas. Postiga, durante toda a primeira parte, foi uma "muleta" próxima, numa posição já baptizada como 9,5, pois não se trata de um verdadeiro "ponta de lança", mas também não é o clássico 10.
Liedson está certo se discorda do recuo posicional de Moutinho (não faz sentido, em jogos como o último, alinhar como médio defensivo quando a equipa precisa de atacar), com a colocação de Matias Fernández na direita (onde parece visivelmente incapaz de ser mais-valia) ou ainda com a tentativa de transformar Veloso num ala (é na zona central que rende mais). Porém, se o sistema adoptado por Carvalhal na primeira parte pouco funcionou, é justo recordar que o técnico o alterou na segunda. E aí, para além de Postiga (e depois Caicedo) ter estado ainda mais perto de Liedson, é preciso recordar o dinamismo de Izmailov na direita, a subida no terreno de Moutinho e as contínuas iniciativas de Grimi na esquerda. Será que o "Levezinho" não viu os companheiros na frente? É impossível, pois foi ele, por exemplo, quem assinou a assistência para o golo do argentino...
Liedson, mais ou menos acompanhado, na primeira e na segunda metade, teve jogo suficiente para fazer aquilo a que sempre nos habituou: marcar golos e resolver os problemas de uma equipa que, já se sabe, está longe de encantar. Porém, o dianteiro confirmou que não atravessa um bom momento. Desperdiçou oportunidades claras que, em condições normais, acabariam no fundo da baliza. E esse é que é o seu verdadeiro problema: a falta de rendimento. E sem os seus golos... a equipa raramente vence, conforme se tem constatado nos últimos jogos.
Esta temporada, em 22 jogos oficiais (20 de princípio a fim) com a camisola do Sporting, Liedson só soma 7 golos, sendo que 3 foram obtidos no mesmo jogo (na Holanda, com o Heerenveen) e 2 em embates da Taça de Portugal (perante equipas dos escalões inferiores). No apuramento para "Champions", não marcou em 4 jogos e na Liga só acertou duas vezes em 11 partidas, sendo que o último festejo foi a 13 de Setembro, perante o Paços de Ferreira. E mesmo na Selecção Nacional, após uma estreia a facturar na Dinamarca, nos últimos três compromissos... a seca também foi evidente.
Em resumo, o modelo táctico, podendo ajudar em determinadas situações, não é responsável pela recente falta de acerto de Liedson. O problema não nasceu com as opções tácticas de Carvalhal. Pensar nisso é querer fugir às evidências.
PS - Sendo certo que Liedson está fora de forma e psicologicamente em baixo, ninguém equaciona que a solução passe por retirá-lo da equipa. O Sporting não tem nenhuma solução que, em franca inspiração, renda o que o "Levezinho" consegue quando está em crise. As estatísticas assim o confirmam. Mas nem o visado, nem o treinador, precisam de dados para ter consciência do facto...