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Na passada quinta-feira, faleceu Domingos Pereira. Foi um dia de luto para o FC Porto e muito triste para todos os jogadores que passaram pelo clube durante os 30 anos em que este grande homem trabalhou. Ele era respeitado, admirado e querido por todos nós. Muitos fizeram declarações durante estes últimos dias. Por exemplo, Madjer, o jogador mais completo com quem tive o privilegio de jogar (e joguei com grandes craques durante toda a minha carreira), disse: "Domingos Pereira foi o meu segundo pai." Eu chamava-lhe vovô, mas sem dúvida alguma que para mim também foi um segundo pai.
Ambos fomos campeões da Europa em 1987. Éramos dois pilares muito importantes daquela mítica equipa e hoje temos o privilégio de estar no museu deste gigante clube, formando parte do melhor onze da história do FC Porto. Os anos em que defendemos a camisola azul e branca foram excelentes e sem a ajuda do Domingos Pereira não sei se tínhamos triunfado da maneira que o fizemos.
A sua função dentro da estrutura portista era ajudar na adaptação o mais rapidamente possível ao clube e à cidade todos os jogadores e suas famílias. Desde o primeiro dia em que chegavas ao Porto, Domingos Pereira convertia-se na tua sombra durante os meses seguintes. Tudo o que era extra futebol ele tratava. Desde arranjar casa até ao último pormenor. A sua responsabilidade residia na necessidade de todos os atletas do FC Porto apenas se preocuparem em jogar futebol e, qualquer problema que tivesses, mesmo que fosse de madrugada, ele estava sempre disponível para ajudar e fazia tudo isto com uma paixão incrível. Ele amava o FC Porto e tinha uma admiração fora do vulgar por Pinto da Costa. Foi, aliás, durante anos o elo de ligação entre os jogadores e o presidente no que tocava aos assuntos pessoais.
Depois do FC Porto passei por grandes clubes, mas nunca encontrei ninguém como o vovô. No AC Milan o lema era "aqui não há desculpas, aqui tens apenas que pensar em ganhar". Nos anos 90, estavam muito à frente no tempo e por cima de qualquer clube a nível de organização. Por esta razão, tinham várias pessoas que resolviam e davam assistência ao mínimo problema que tivesses a nível pessoal ou familiar. Recordo-me que um dos meus filhos, numa madrugada, acordou com dores de barriga, liguei para eles e apenas me disseram: "Continua a dormir, que tens treino dentro de umas horas. Nós vamos com o médico a tua casa." A estrutura do Milan era incrível e por esta razão ganharam várias Ligas dos Campeões.
Já o FC Porto não é um clube multimilionário como o emblema italiano. Não tinha um departamento para o acompanhamento dos jogadores 24 horas por dia, mas dispunha do Domingos Pereira, que valia muito mais que qualquer departamento. Recordo-me que o balneário do FC Porto era um templo sagrado. Só havia três pessoas que podiam entrar dentro do balneário: o presidente, o Teles Roxo e o verdadeiro craque Domingos Pereira. Durante estes 30 anos, o trabalho que ele fez com todos jogadores, para que só pensassem em futebol e em ganhar, foi excelente. O FC Porto foi campeão da Europa e do Mundo duas vezes e ele sem dúvida alguma que teve muita influencia nestes êxitos.
Por último, quero nestas linhas, dar os meus mais sentidos pêsames à sua família. Até sempre, vovô!
Grande caldeirada -- Semana negra
Foi uma semana negra para o futebol mundial, mas todos sabíamos que, mais tarde ou mais cedo, o caldinho ia entornar. O principal organismo do futebol mundial parece uma máfia e pessoas que assumiam altos cargos já estão detidas. Este pode ser o início de uma era, com um futebol mais limpo. Mas, ainda assim, o pior de todos ainda lá está. Sr. Blatter, tenha um pouco de vergonha e abandone o futebol de uma vez por todas!
Nós lá fora -- Portugueses em Sevilha
Pelo segundo ano consecutivo, o Sevilha, de Beto, Daniel Carriço e Diogo Figueiras, vence a Liga Europa. Uma caminhada fantástica e um momento histórico para o clube andaluz e para os três jogadores portugueses que acrescentam assim mais um grande título aos seus currículos. Espetáculo craques, muitos parabéns!
Do meu álbum -- Uma competição especial
Hoje é dia de final da Taça de Portugal no mítico Estádio Nacional, no Jamor. Tive o privilégio de fazer parte deste dia duas vezes na minha carreira. A primeira ao serviço do FC Porto, que terminou em derrota frente ao Benfica. Mas à segunda consegui vencer ao serviço dos encarnados, naquele que foi o jogo mais completo da minha carreira. Marquei dois golos, fiz uma assistência e ainda sofri uma grande penalidade. Um dia perfeito em termos pessoais, que se tornou num grande dia para o coletivo. Aconteça o que acontecer hoje, uma final no Jamor é sempre especial para qualquer jogador!