Basquetebol português "apareceu"

Num País onde a "ditadura" do futebol é por demais evidente - culpa de muita gente com responsabilidades em diversas áreas e, claro, com o jornalismo desportivo também a não sair incólume - é sempre com satisfação que posso fugir do pontapé na bola para falar de outras modalidades. E hoje, mesmo sabendo que Vinokourov voltou a brilhar na Volta a Espanha em bicicleta; que Obikwelu mostrou, pela enésima vez, que é um dos homens mais rápidos do Mundo ou que, finalmente, temos em marcha um verdadeiro campeonato nacional de andebol... tenho mesmo de utilizar este espaço para falar da Selecção Nacional de basquetebol.

Não é fácil explicar o que senti quando, olhando para o computador (os bósnios podiam ter resolvido o assunto sem tanto drama...) e para a televisão, percebi que Portugal tinha conquistado o "passaporte" para a fase final do Europeu de 2007, algo que sucede pela primeira vez, pois o convite para estar na edição de 1951 não representa um apuramento por mérito.

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Desde os meus 10 anos que, nas mais diversas funções, tenho estado ligado ao basquetebol. E enquanto jornalista já perdi a conta aos treinos e jogos da Selecção (em Portugal e no estrangeiro) a que assisti, embora nos últimos tempos, é certo, tenha estado algo ausente por motivos profissionais.

Dar os parabéns a alguém neste momento é uma tarefa complicada e injusta. Penso, sinceramente, que muita gente mereceu este feito histórico. Falo de todos os que fazem parte da actual equipa, mas também das centenas (jogadores, técnicos e dirigentes) que, ao longo dos anos, deparando com tantas dificuldades, lá foram alimentado o sonho até, esta tarde, ele virar realidade.

Por muito que não queira individualizar esta qualificação, não resisto, contudo, à tentação de falar de três nomes. Três homens, três amigos, com uma paixão ilimitada pelo basquetebol.

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Mário Saldanha, o líder federativo, sempre me disse que isto tinha de acontecer um dia. Que o basquetebol podia atingir os patamares do andebol ou do voleibol. Acertou! Lembro-me das horas que passámos juntos por essa Europa fora (nem sempre estando de acordo, nomeadamente aquando das "jogatanas" de sueca ou, claro, de basquetebol...) e sei bem o que isto representa para ele. As lágrimas que não conseguiu esconder no final da partida de Paredes, desta vez não eram de tristeza. Até que enfim!

Nesta Selecção, para além da ausência por lesão de Sérgio Ramos (por opção também ficaram de fora jogadores que podem, a qualquer altura, reforçar o grupo), falta um outro basquetebolista que, evidentemente, tem de ser lembrado num momento destes. Paulo Pinto, se estivesse entre nós, seria um dos líderes naturais da equipa. Dentro e fora do campo, tão elevada era a sua qualidade e inteligência.

Resta falar de uma pessoa que, pese o seu feitio muito peculiar, foi um dos jornalistas com quem mais gostei de trabalhar. O Vítor Hugo merecia ter feito esta reportagem!

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