_

Opinião
Guillermo Abascal Treinador

Batalha (tática) ibérica

No plano tático, entrando de cabeça no duelo, vejo um aspeto fundamental. Para além dos protagonistas na luta pelo controlo do jogo (Rodri, Pedri, Vitinha e João Neves), concentrar-me-ia em ver como os “atores secundários” podem aproveitar o desequilíbrio para receber entrelinhas, avançar e, acima de tudo, ajudar nos momentos sem bola. Esta será a decisão mais importante a tomar por ambos os treinadores, embora seja verdade que Roberto tenha isso melhor definido com Bruno Fernandes.

O foco para a equipa de Martinez, se quiserem dominar e impedir que a Espanha consiga ligar-se entrelinhas e encontrar o desequilíbrio criado por Lamine, estará precisamente nestes aspetos:

PUB

* A condução de bola de Cubarsi

* Os movimentos entrelinhas de Oyarzabal

* A forma como Lamine irá vigiar Nuno Mendes pela ala

PUB

* Na ala esquerda, terá de existir mais um trabalho de concentração e resistência face aos múltiplos movimentos de Cucurella

Luis sabe que, para se sentir confortável, a sua equipa precisa de ter a posse de bola a partir do seu próprio campo. Pressão alta e roubar a bola nas costas de Pedri e Rodri pode colocar Espanha em dificuldades e impedir avanços com mais espaços. Por isso, o dilema para Luis é maior do que para Roberto, que, além disso, com Bruo Fernandes, dispõe de grande capacidade goleadora.

De la Fuente pode optar por uma formação mais defensiva (Merino-Zubimendi), mas também por uma dupla com capacidade ofensiva (com Fabián) ou uma solução ainda mais ofensiva (com Olmo). O que vier a escolha dirá muito da forma como vai querer abordar este jogo.

PUB

Portugal precisará de neutralizar o circuito de criação espanhol ou, pelo menos, orientá-lo para Laporte, levando-o a jogar na vertical, onde é mais fácil roubar a bola pelas costas e contra-atacar, evitando assim que encontre a diagonal para Lamine, o que também pode ser uma forma de conquistar o último terço, contornando a pressão alta da equipa de Martínez.

Outra chave tática no desenrolar do jogo será a forma como ambas as equipas utilizam os espaços, para além da posse de bola. Estas duas situações, que se vão desenvolver no mesmo lado e que podem desequilibrar o encontro, exigem um passe milimétrico e um movimento perfeito.

A retaguarda de Veiga pode ser um ponto fraco para os portugueses. Ttirar-lhe a bola da sua zona e explorar-lhe as costas é uma forte hipótese, sabendo que Mendes estará muito marcado por Lamine.

PUB

A reação às perdas de bola na zona média-alta pode, igualmente, ser um fator decisivo para Portugal: utilizar uma saída rápida e um passe para o espaço, sobretudo nos momentos em que Lamine tem mais dificuldade em recuar.

É verdade que Espanha chega aqui sem qualquer golo na sua baliza, mas tem sofrido com ataques rápidos que obrigam Porro ou Llorente a fechar muito para o interior para ajudar os centrais, o que deixa o segundo poste desprotegido para as chegadas por trás. Neste caso, isso poderá ser uma arma para Mendes e Leão.

Hoje, Portugal dispõe de mais armas para roubar o tesouro que fez da Espanha uma seleção não só vencedora e competitiva, mas única no mundo pelo futebol que pratica e pela forma como consegue superar os seus adversários.

PUB

O que está em jogo para Portugal é eliminar o fantasma da África do Sul, no último Mundial de Ronaldo, que procurará mudar o destino daquela memória amarga. Mas hoje, sim, com um meio-campo muito semelhante ao que tornou a Espanha grande e que, tal como na Europa com o PSG, pode fazer com que Portugal não só vença o jogo, mas conquiste o domínio e o controlo a partir do meio-campo.

A Espanha precisa da vitória para avançar nas suas aspirações, superar mentalmente a dura derrota na Liga das Nações e ver se Lamine Yamal consegue começar a construir a sua história nos Mundiais, tal como já fizeram Ronaldo e Messi. Serão vários “jogos” dentro do mesmo. Talvez um dos mais interessantes e ricos taticamente até ao momento nesta competição.

Por Guillermo Abascal
Deixe o seu comentário
PUB
PUB