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No plano tático, entrando de cabeça no duelo, vejo um aspeto fundamental. Para além dos protagonistas na luta pelo controlo do jogo (Rodri, Pedri, Vitinha e João Neves), concentrar-me-ia em ver como os “atores secundários” podem aproveitar o desequilíbrio para receber entrelinhas, avançar e, acima de tudo, ajudar nos momentos sem bola. Esta será a decisão mais importante a tomar por ambos os treinadores, embora seja verdade que Roberto tenha isso melhor definido com Bruno Fernandes.
O foco para a equipa de Martinez, se quiserem dominar e impedir que a Espanha consiga ligar-se entrelinhas e encontrar o desequilíbrio criado por Lamine, estará precisamente nestes aspetos:
* A condução de bola de Cubarsi
* Os movimentos entrelinhas de Oyarzabal
* A forma como Lamine irá vigiar Nuno Mendes pela ala
* Na ala esquerda, terá de existir mais um trabalho de concentração e resistência face aos múltiplos movimentos de Cucurella
Luis sabe que, para se sentir confortável, a sua equipa precisa de ter a posse de bola a partir do seu próprio campo. Pressão alta e roubar a bola nas costas de Pedri e Rodri pode colocar Espanha em dificuldades e impedir avanços com mais espaços. Por isso, o dilema para Luis é maior do que para Roberto, que, além disso, com Bruo Fernandes, dispõe de grande capacidade goleadora.
De la Fuente pode optar por uma formação mais defensiva (Merino-Zubimendi), mas também por uma dupla com capacidade ofensiva (com Fabián) ou uma solução ainda mais ofensiva (com Olmo). O que vier a escolha dirá muito da forma como vai querer abordar este jogo.
Portugal precisará de neutralizar o circuito de criação espanhol ou, pelo menos, orientá-lo para Laporte, levando-o a jogar na vertical, onde é mais fácil roubar a bola pelas costas e contra-atacar, evitando assim que encontre a diagonal para Lamine, o que também pode ser uma forma de conquistar o último terço, contornando a pressão alta da equipa de Martínez.
Outra chave tática no desenrolar do jogo será a forma como ambas as equipas utilizam os espaços, para além da posse de bola. Estas duas situações, que se vão desenvolver no mesmo lado e que podem desequilibrar o encontro, exigem um passe milimétrico e um movimento perfeito.
A retaguarda de Veiga pode ser um ponto fraco para os portugueses. Ttirar-lhe a bola da sua zona e explorar-lhe as costas é uma forte hipótese, sabendo que Mendes estará muito marcado por Lamine.
A reação às perdas de bola na zona média-alta pode, igualmente, ser um fator decisivo para Portugal: utilizar uma saída rápida e um passe para o espaço, sobretudo nos momentos em que Lamine tem mais dificuldade em recuar.
É verdade que Espanha chega aqui sem qualquer golo na sua baliza, mas tem sofrido com ataques rápidos que obrigam Porro ou Llorente a fechar muito para o interior para ajudar os centrais, o que deixa o segundo poste desprotegido para as chegadas por trás. Neste caso, isso poderá ser uma arma para Mendes e Leão.
Hoje, Portugal dispõe de mais armas para roubar o tesouro que fez da Espanha uma seleção não só vencedora e competitiva, mas única no mundo pelo futebol que pratica e pela forma como consegue superar os seus adversários.
O que está em jogo para Portugal é eliminar o fantasma da África do Sul, no último Mundial de Ronaldo, que procurará mudar o destino daquela memória amarga. Mas hoje, sim, com um meio-campo muito semelhante ao que tornou a Espanha grande e que, tal como na Europa com o PSG, pode fazer com que Portugal não só vença o jogo, mas conquiste o domínio e o controlo a partir do meio-campo.
A Espanha precisa da vitória para avançar nas suas aspirações, superar mentalmente a dura derrota na Liga das Nações e ver se Lamine Yamal consegue começar a construir a sua história nos Mundiais, tal como já fizeram Ronaldo e Messi. Serão vários “jogos” dentro do mesmo. Talvez um dos mais interessantes e ricos taticamente até ao momento nesta competição.
Por Guillermo Abascal