A vitória ontem do Benfica contra o Trabzonspor marca um bom início na Luz. A época que agora se abre não é qualquer e estar na Liga dos Campeões pode ser a diferença entre estar exposto apenas às receitas de um Portugal emagrecido ou disputando os milhões de uma Europa que roda a outra velocidade.
Em termos desportivos, a edição do Record de ontem tem todas as lições e ilações do jogo. Incluindo do guarda-redes Artur que pode ter ganho a titularidade; da frente sul-americana que se reforma; e também dessa estranha constatação que é já não pasmarmos que mal se fale português naquela equipa: a partir dos 64 minutos, com a saída de Ruben Amorim, o Benfica passou a jogar com 11 estrangeiros. Houve um tempo em que havia jogos Benfica-Resto do Mundo. Agora o Benfica é ele próprio uma espécie de Resto do Mundo.
É uma banalidade dizer que a Liga dos Campeões dá milhões. Mas este ano essa possibilidade é mais importante do que nunca. A crise económica refreia todas as fontes de receita no campeonato português, das bilheteiras aos camarotes e patrocínios, mesmo que o Benfica possa estar à beira de acertar no Totoloto quando fechar o negócio de direitos de transmissão televisiva, que estão a ser disputados por um Joaquim Oliveira que os pode perder e por um Miguel Pais do Amaral que os quer ganhar. O negócio não está fechado, envolve muitas contrapartidas, mas trará dezenas de milhões de euros para a Luz, mérito negocial de Vieira e, sobretudo, do seu hábil gestor Soares de Oliveira.
A “equação” económica do Benfica inclui a Liga dos Campeões. Ontem à noite foram dados dois passos nessa direção, um de Nolito, o outro de Gaitán. Assim seja. Não é só pelo Benfica. A economia também agradece. Sabia que cada milhão ganho na Liga dos Campeões reduz o défice externo? Ah, pois é.