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Bento "forever" até quando?

Mais um jogo, mais um resultado negativo. O Sporting continua em crise na Liga e ao final da 8.ª jornada segue a 10 pontos de Benfica e Sp. Braga. Sendo certo que - ainda com 22 rondas (ou 66 pontos) para disputar - ninguém pode garantir que os leões não têm hipóteses de chegar ao título, arrisco dizer que nem o mais fiel adepto sportinguista acredita, nesta altura, que tal seja possível.

É evidente que dirigentes, técnicos e jogadores procuram passar uma mensagem de esperança para o exterior mas, sendo legítima a opção, é óbvio que também eles já perceberam que a discussão do Campeonato parece reduzida, desde já, a Benfica e FC Porto e, talvez, Sp. Braga. O Sporting, pura e simplesmente, não revela capacidade para entrar na luta.

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E, de momento, ser só a Liga a estar cinzenta para a formação verde e branca já não é nada mau. Nas competições internacionais, pese ser um dos poucos emblemas que soma por vitórias os três embates realizados na fase de grupos da Liga Europa, o Sporting tem sido feliz e beneficiado do facto de ter calhado num grupo que, convenhamos, nem escolhido a dedo poderia ter sido mais acessível. A praticar um futebol tão incipiente, a formação de Paulo Bento - caso tivesse chegado à Liga dos Campeões - corria sérios riscos de, a qualquer altura, sofrer um (ou mais) resultado(s) pesado(s).

Para o Sporting ainda poder chegar a campeão nacional seria necessário, em primeiro lugar, que a equipa passasse a jogar muito melhor. E isso, pelo que se tem observado, dificilmente sucederá. Acredito que a qualidade futebolística dos leões irá, mais tarde ou mais cedo, melhorar. Mas, sem ponta de ironia, penso que isso é expectável porque a fasquia está tão baixa que praticamente é impossível não mostrar mais qualquer coisita. Uma ou outra prestação de bom nível deverá surgir, mas daí a estabilizar num patamar elevado vai uma distância grande, até porque os "artistas" à disposição não são, assumidamente, os mais indicados para sonhar com grandes feitos. E depois seria preciso que vários adversários entrassem, praticamente ao mesmo tempo, em queda acentuada. Assistir a esta conjugação é, no mínimo, improvável!

Mas, perante este cenário - e com a onda de contestação a Paulo Bento a ganhar corpo com o passar das semanas -, o presidente leonino vai insistindo em defender, para lá do razoável, o treinador. Servir de suporte ao responsável técnico é uma das missões de quem dirige um clube mas, como afirmei logo durante o despique eleitoral, Bettencourt ficou refém dos resultados da equipa de futebol quando se lembrou de dizer que a ligação com o técnico seria algo... para sempre.

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Ao manter-se irredutivelmente fiel à conversa do "forever", Bettencourt pensa que está a contribuir para a estabilidade do clube, mas está enganado. Tanta fixação na continuidade do treinador dá a ideia de que é indiferente ganhar ou perder e isso, claro está, deixa-o mal colocado perante os sócios. Eles, mais do que ninguém, não aceitam ligações imaculadas, sem necessidade de avaliação face aos resultados. E o pior é que toda a gente sabe que, com este arranque (depois do clube ter definido como objectivo a conquista do título), qualquer outro técnico já tinha sido "despachado"...

Mas, neste processo em que o treinador não é o único com responsabilidades (como fez questão de salientar em Guimarães), o que me causa maior surpresa é constatar que Paulo Bento também parece demasiado conformado e apostado em deixar tudo na mesma. As declarações mais ou menos inflamadas, como se tem visto, há muito deixaram de "mexer" com os futebolistas. Saber ler esse sinal é essencial. E uma mudança de ares era capaz de ser o melhor que podia acontecer à sua carreira!

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