Bento nos pés de Liedson

A exibição (não o resultado) caseira diante da Fiorentina parecia indiciar que o futebol do Sporting estava em condições de acertar o passo. Porém, o embate com o Braga, provou que as melhorias foram passageiras. O leão segue enfermo, apático e triste. E pior que isso.. continua sem saber o que é ganhar em jogos "a sério"!

É num indesmentível quadro de insatisfação generalizada - onde nem falta uma associação de adeptos, com assento no Conselho Leonino, a pedir publicamente a demissão do treinador - que o Sporting vai a Itália procurar a qualificação para a fase de grupos da "Champions". Para que tal seja possível, é preciso vencer ou empatar com mais de 2 golos. Tratando-se de uma missão possível (nomeadamente se a prestação leonina se assemelhar, em postura e qualidade, ao que se viu na primeira mão), facilmente se antevê que não será fácil.

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Em condições normais, um hipotético afastamento sportinguista da Liga dos Campeões não seria suficiente para provocar contestação em Alvalade. Sendo certo que a Fiorentina não é o Inter, Juventus ou Milan, a verdade é que também não é o Twente. Significa isso que, se os vice-campeões nacionais possuem capacidade suficiente para afastar os italianos, também é justo realçar que, antes da eliminatória começar, a lógica mandava-nos atribuir o favoritismo (por ligeiro que fosse) aos transalpinos.

O problema é que, tendo em conta o actual momento, cada jogo que o Sporting fizer sem vencer irá provocar maior desânimo entre os adeptos que, visivelmente, continuam afastados do dia-a-dia do clube. Bettencourt bem se tem esforçado para os mobilizar, "espicaçando" as hostes com elogios aos rivais ou recrutando, entre figuras mais ou menos públicas, novos associados. Mas, nada disso funciona se, desportivamente, os triunfos teimarem em não aparecer.

E porque não vence o Sporting? Nesta altura, creio que, essencialmente, por causa da pressão adicional que, de repente, surgiu em cima dos jogadores. Mas, como já referi vezes sem conta, o grande problema é que este leão tem uma equipa limitada para, de forma sistemática, competir ao mais alto nível. Pode ser suficiente para conquistar troféus, mas não é provável, olhando por comparação para as soluções à disposição de Jesualdo Ferreira ou Jorge Jesus.

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Depois, naturalmente, pode falar-se do péssimo momento de forma de Polga; da imensa dificuldade para "inventar" laterais fiáveis; de todo o estranho processo que envolveu a prolongada paragem de Izmailov; da inaceitável propensão para sofrer golos nos primeiros minutos; dos contínuos problemas nos lances de bola paradas; da adaptação tardia de Caicedo (agora agravada com uma lesão); etc, etc.

Como é que Paulo Bento pode, num ápice, dar a volta ao texto? Com dinheiro - que não existe - seria relativamente fácil: bastava comprar bem, embora já não seja o momento ideal para andar às compras Sem os euros necessários e, aparentemente, também já sem o jeito de antigamente para motivar as tropas pelo discurso, creio que Bento só pode torcer para Liedson "despertar". Se o brasileiro continuar sem resolver... não sei quem será capaz de o fazer! E sem os golitos do dianteiro também tenho dificuldades em ver o presidente reafirmar que, com ele, será "Bento forever".

PS - Paulo Bento não é, de momento, o único técnico a necessitar dos golos de Liedson. Carlos Queiroz está na mesma situação. O Levezinho será o último trunfo num momento em já não existe margem para errar na qualificação para o Mundial'2010. Depois de tanta conversa em torno do tema, não deixa de ser irónico perceber que o avançado irá estrear-se na Selecção quando, futebolisticamente falando, está longe do seu rendimento normal. Mas, como o próprio refere, a qualquer altura a bola vai voltar a entrar. Se não for antes, que seja diante dinamarqueses e/ou húngaros.

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