Berço de sonhos

Berço de sonhos

Falar de Guimarães e do Estádio D. Afonso Henriques é, para mim, sinónimo de memórias inesquecíveis, já que foi naquele relvado que me estreei pela equipa principal do FC Porto, em 1989. Já na altura, as deslocações à Cidade Berço eram sempre complicadas, fruto da força que este clube sempre apresentou, assente no enorme apoio com que os vimaranenses brindam quem defende aquele símbolo.

Na altura, era comum dizer-se que o Vitória tinha condições semelhantes às dos três grandes, mas o que é certo é que, por uma razão ou outra, o clube nunca conseguiu dar esse salto. De então para cá, os altos e baixos sucederam-se, ora com o clube a lutar por lugares europeus, ora a lutar pela manutenção, até que, no virar da última década, a bomba rebentou com estrondo entre os vitorianos: o passivo disparara e a gestão do clube já não era sustentável. Adivinhou-se o pior...

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No entanto, sem outras soluções à vista, originou-se no clube uma mudança inevitável que levou à inversão da queda. A sangria do despesismo foi estancada, os orçamentos e o passivo baixaram, e o caminho mantém-se hoje com rumo bem traçado, com naturais obstáculos mas sem desvios. Ao comando deste projeto, torna-se inevitável destacar o artesão que molda a matéria-prima vitoriana.

Sem recurso a fundos monetários, sem endividamentos irresponsáveis, sem apostas em estrangeiros caros, sem jogadas estranhas de bastidores, eis que o projeto emerge assente no talento dos jovens e num treinador que não tem medo de apostar na juventude. Jogadores baratos e desconhecidos. Talentosos e ambiciosos. Provenientes da formação ou dos escalões inferiores. Maioritariamente portugueses. Parece mentira, não parece? Um projeto assim parece uma utopia nos dias que correm, e no entanto, ele aí está, com resultados que falam por si e, acima de tudo, graças ao homem que materializou o sonho, tornando-o possível: Rui Vitória. Treinador cujo próprio apelido parece indicar o destino traçado para si.

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