Há duas semanas, aqui se escreveu sobre como a venda do plantel do Benfica estava relacionada com a crise do BES. Entretanto, o BES caiu, partiu-se ao meio, metade boa para um lado, metade má para o outro. Uma das primeiras piadas que então li foi sobre se o Benfica e o Sporting ficavam no BES-bom ou no BES-mau...
A verdade é que a quebra do Banco Espírito Santo tem um impacto muito forte no futebol português. Primeiro, porque o banco era um grande patrocinador, sobretudo da Seleção Nacional. Depois, porque era financiador de muitos clubes. Além disso, tinha relações privilegiadas com grande empresários e dirigentes desportivos, como Jorge Mendes, como Luís Filipe Vieira, como Joaquim Oliveira. A última reestruturação financeira do Sporting foi feita com BES e BCP, mas liderada do lado da banca por Joaquim Goes, que agora renunciou a administrador do BES. O Benfica ainda há um ano pôde aumentar o seu passivo bancário para reforçar o seu plantel, o que envolveu diretamente Amílcar Morais Pires, ex-administrador do BES, que aliás chegou a ser dado como seu possível presidente, o que acabou por não acontecer.
A crise no BES vai ter um efeito muito profundo na reconstrução das linhas de poder na economia portuguesa, e entre banqueiros e empresários, dentro e fora do futebol. Mas além disso, tem como impacto imediato uma redução do crédito concedido às empresas por parte do chamado Novo Banco, que está em no processo de formação. O BES era um banco muito ligado ao futebol. O BCP também já foi, mas tem vindo progressivamente a reduzir a sua exposição. Já o Porto, que tradicionalmente trabalha mais com o BPI, está mais protegido destas intempéries.
Independentemente do chamado “fair play” financeiro, os clubes de futebol terão de viver com menos crédito durante alguns anos, o que significa equipas de futebol com menos estrelas. A equipa do ano passado do Benfica foi um luxo que deu muitos resultados mas que dificilmente poderá ser repetida nos próximos anos. Como dizia o outro, é a vida.