Blatter acordou

Joseph Blatter, o presidente da FIFA, parece ter perdido a paciência com a questão das naturalizações a granel que, um pouco por todo o Mundo, ameaçam o futebol. E mesmo sabendo que vai comprar uma “guerra” complicada – há muita “politiquice” no meio - mostra-se disponível para a travar. Nem sempre concordo com as suas ideias, mas neste particular não podia estar mais de acordo. É preciso fazer alguma coisa. E falar do assunto já é um começo.

Sei que defender este ponto de vista é, na óptica de algumas pessoas, um sinal de xenofobia, de intolerância, racismo e outras coisas que tal. Nenhuma dessas “carapuças” me serve. Limito-me a não gostar de ver cada vez mais selecções, de futebol e não só, a alinhar com atletas oriundos das mais diversas paragens. Será que sou o único a considerar bizarro o facto de a nação mais representada no recente Europeu de futsal, disputado em Portugal, ter sido... o Brasil? Será normal ver uma selecção italiana só com brasileiros? A Globalização é uma consequência dos tempos modernos, mas convém não exagerar...

PUB

Sempre que este assunto vem à baila, há logo quem vá buscar o nome de Eusébio e faça questão de dizer que, se sou contra a utilização de naturalizados, também deveria criticar o que sucedeu no passado, quando o “Pantera” (e tantos outros) alinhou por Portugal. Lançar essa “cartada” não passa de um argumento sem validade. Eusébio era português. Não era lisboeta, nem alentejano, nem transmontano, mas sendo moçambicano dava no mesmo. Os naturais das ex-colónias eram tão portugueses como, hoje em dia, são Cristiano Ronaldo ou Pauleta. No passado ou no presente, ser português não é exclusivo de quem nasce no continente.

E falar de casos como Petit ou Dimas, internacionais lusos que nasceram no estrangeiro, também não faz sentido. Quem nasce em França ou na África do Sul pode ser cidadão desses países, mas tendo pais portugueses também tem todo o direito a ser português. Basta querer. E isso é válido para os africanos das ex-colónias que, recentemente, se naturalizaram. Todos são netos (e a maioria filhos) de alguém que, quando nasceu, era... português!

Voltemos ao cerne da questão. A FIFA já proibiu alguns brasileiros de alinharem pelo Qatar, mas só o conseguiu porque os “artistas” nunca tinham pisado solo qatari. Como será no futuro? Desde que sejam cumpridos determinados requisitos – como estar “x” tempo num país – será possível ver uma selecção de brasileiros a conquistar, por exemplo, a Taça da Ásia ou a fazer frente ao “escrete canarinho” num Mundial? Espero que não! Já basta ver o “regabofe” que se passa nas várias ligas europeias e nas provas da UEFA, onde é possível uma equipa inglesa defrontar uma portuguesa sem que esteja em campo um único britânico ou luso!

PUB

PS – Nada tenho contra a naturalização de estrangeiros. Se desejam ser portugueses e cumprem os parâmetros necessários... a opção é sua. Só defendo é que esses cidadãos não deviam ser elegíveis para representar Portugal.

Deixe o seu comentário
PUB
PUB