Boas relações

Boas relações

As relações entre Sporting e Benfica hão de ser reatadas, como de outras vezes foram, e outras vezes elas hão de ser cortadas, porque é da natureza das rivalidades que os comportamentos se radicalizem às vezes sem explicação. Como desta vez: não há explicação para o sucedido.

Foi por isso que, na semana passada, aqui critiquei o Sporting pela inutilidade do corte de relações e o Benfica por não se ter demarcado frontalmente desde o primeiro minuto da faixa de incitamento ao ódio mostrada no jogo de futsal. Volto esta semana ao tema não só porque persiste, mas porque outro acontecimento, também à margem do futebol, mostrou bem como um clube pode tornar-se maior quando se distancia de pessoas menores, mesmo quando pertencem a claques que os apoiam.

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Um homem queria entrar no metro, que estava mais ou menos a abarrotar por causa do jogo de futebol que se seguiria; os adeptos de um dos clubes não deixaram esse homem entrar na carruagem, por causa da cor da sua pele; foi tudo filmado, porque agora tudo pode estar a ser filmado, e as imagens levantaram indignação. O clube em causa, o Chelsea, classificou o comportamento como repugnante, disse que vai ajudar as autoridades a descobrir quem foi e está disposto a expulsar os adeptos em causa do estádio em jogos futuros.

O Chelsea não está apenas a ser correto com quem foi maltratado, está a dar uma lição de civismo e a assumir a responsabilidade de um clube que agrega tanta gente, tanta paixão, tanto emoção. Era bom que, em Portugal, onde há membros de claques que estão interessados em tudo menos no desporto, houvesse essa coragem - ou essa grandeza. Basta seguir os bons exemplos. E replicá-los.

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