Cristiano Ronaldo deixou a Suécia de rastos e Portugal aos pulos. Deixou a Pepsi humilhada e a Coca-Cola a sorrir. Deixou Joseph Blatter corado de vergonha e Fernando Gomes exultante de alegria. Deixou Ibrahimovic nas covas e Messi de lado. Deixou todos para trás e puxou o país todo para a frente. Deixou a imprensa mundial ajoelhada em vénias e a imprensa portuguesa gritando glória e vitória. Deixou os assobios calados, os berros esganiçados, as frases exclamadas e os olhares esbugalhados. Deixo o Planeta Terra e levou milhões de portugueses ao céu. Nada menos do que isto. Futebol é só futebol e, no entanto, pode ser tanto quanto tanto foi esta terça-feira à noite. “Obrigado Cristiano”? Sim, obrigado Cristiano. Muito obrigado.
Os três golos de Cristiano ficarão na história como o célebre golo de Carlos Manuel contra a Alemanha que nos levou in extremis ao Mundial do México. Mais de 25 anos depois, os três chutos entram no Olimpo da memória dos portugueses. Mas não foram só três chutos. Foram três assistências que descadeiraram a defesa contrária. Foram três corridas alucinantes como torpedos contra a baliza. Três demonstrações de domínio e de força após velocidades que estonteariam qualquer outro. Este jogo é daqueles de que podemos ver mil vezes os resumos televisivos e ouvir outras mil os relatos em direto das rádios e emocionamo-nos sempre. E é tão raro poder sentir isso e poder escrever isto. Esta sensação gregária e contagiante de um país a gritar golo com as goelas latejando. E vingando o orgulho sobre a imagem dos detratores, de um Blatter ridículo a uma filial sueca da Pepsi vergonhosa.
Assim vamos ao Brasil. A Seleção Nacional e três selecionadores portugueses. Paulo Bento, Fernando Santos, Carlos Queiroz. Cristiano Ronaldo, João Moutinho, Nani. Não temos a melhor Seleção de sempre, mas temos o melhor jogador de sempre. E que, obviamente, só pode ganhar o prémio de melhor jogador do Mundo. Tão certo como um mais um mais um serem três golos magistrais. Extraordinários. Do outro mundo. Do nosso país.