Caiu que nem Ninja

Esgotaram-se os adjectivos para classificar a inacreditável, e pelos vistos incomensurável capacidade desta equipa do FC Porto, do seu treinador, do seu presidente e de toda uma estrutura profissional que não se queixa do sistema nem se preocupa com o que dizem os outros, antes se coloca, determinada e impiedosamente, ao serviço dos objectivos do clube - ganhar tudo e sempre.

Ninguém marcou no Riazor, esta época, para a Liga dos Campeões - nem o Real Madrid na última jornada da liga espanhola conseguiu não ficar a "seco" - até se apresentarem na Corunha estes bravos de um pelotão que já ganhou o seu lugar na história do futebol português. A aposta num recuperado Derlei e num Pedro Mendes menos rotinado nas andanças europeias define a visão estratégica e a coragem de um treinador.

PUB

E a sorte? Também lá esteve. Aliás, ela nunca falta quando o trabalho, o rigor e a qualidade não lhe deixam outra alternativa. O Porto voltou a ser Portugal. O resto, já se sabe, é o sistema.

Scolari

Penso que não me engano se disser que Scolari tem muitos inimigos em Portugal. É normal. Vejamos: é brasileiro, ou seja, é estrangeiro, que essa coisa de país-irmão só dá mesmo para os políticos assinarem protocolos tipo "puxa-saco"; é campeão do Mundo, logo, teve sucesso e nós gostamos muito de sucesso, mas na condição de ser o nosso sucesso e não o dos outros; ganha muito para o nível de vida português e, portanto, a inveja aumenta.

PUB

Pela minha parte, confesso-me adepto do homem e por um simples motivo: nunca diz asneiras. Ainda agora perante a tentativa de empolamento da "invasão" de Alvalade foi, uma vez mais, exemplar. "Temos de valorizar as coisas boas", disse. E disse muito bem.

Álvaro Magalhães

A alegria tornou-se incontrolável para Álvaro Magalhães quando Geovanni atirou a menina para dentro da baliza do leão. E o técnico-adjunto do Benfica deixou o banco e veio pular para a linha lateral, de frente para a claque benfiquista, nas "barbas" do público afecto à equipa da casa.

PUB

Uma verdadeira provocação, terão alguns considerado, talvez os mesmos que não condenam a exibição, por parte dos ultras leoninos, de faixas com frases ofensivas para os visitantes. Mais tarde, seriam também Zahovic e Argel alvos de idêntica acusação. Nada mais injusto.

A comemoração dos golos, desde que seja uma manifestação da própria alegria, faz parte do sal do futebol. Não marcar golos é que é provocador.

Fernando Santos

PUB

Talvez só Carlos Queiroz tenha, lá nas alturas, o protector incompetente que finge acudir ao engenheiro. O santinho que deixou, aos 37 minutos do Corunha-R. Madrid, que o antes mortal remate de Ronaldo esbarrasse no poste; que aos 40, o ex-genial Zidane fosse expulso; e que aos 42, o inúmeras vezes decisivo Raúl acertasse com a bola na barra.

A sorte do jogo decidida em 5 minutos... Incrível! Pois esse santo de pé-frio, se fosse minimamente capaz, teria feito com que o momento inspirado oferecido a Geovanni fosse parar, por exemplo, a Liedson. E como tudo seria diferente! Fernando Santos era agora um deus, em vez de se contarem os tostões para o mandar embora...

Juventude leonina

O condenável comportamento de uma dúzia de adeptos sportinguistas, no domingo, em Alvalade, não passou de uma brincadeira de crianças a mexer em fósforos. E o fogo não ateou por razões simples.

Em primeiro lugar, porque José Eduardo Bettencourt - com a autoridade que mais ninguém teria naquela altura e naquele local - logo acorreu ao cenário do "crime" e mandou as tropas recolher às casernas. Depois, porque houve um jogador, um homem de carácter - escrevo-o com prazer - que permaneceu na zona do relvado onde se deu a "invasão" até que todos os seus colegas de profissão ao serviço do Benfica estivessem a salvo de um eventual reacendimento.

Nessa missão, tanto Bettencourt como Rui Jorge tiveram a honrosa companhia do "capitão" Pedro Barbosa e do guarda-redes Nélson. Por último, uma saudação é devida a 99% dos componentes da Juve Leo, que com assinalável - e inesperado, dadas as circunstâncias - espírito cívico permaneceram nos seus lugares e recusaram a "aventura".

Tivesse sido outro o seu comportamento e não havia polícia que os segurasse. Então, sim, seria uma tragédia. Fazer cidadãos é sempre o melhor caminho. Recusar o terceiromundismo da carga policial para resolver todos problemas de ordem pública é o desafio que se coloca aos países civilizados.

PUB

O condenável comportamento de uma dúzia de adeptos sportinguistas, no domingo, em Alvalade, não passou de uma brincadeira de crianças a mexer em fósforos. E o fogo não ateou por razões simples.

Em primeiro lugar, porque José Eduardo Bettencourt - com a autoridade que mais ninguém teria naquela altura e naquele local - logo acorreu ao cenário do "crime" e mandou as tropas recolher às casernas. Depois, porque houve um jogador, um homem de carácter - escrevo-o com prazer - que permaneceu na zona do relvado onde se deu a "invasão" até que todos os seus colegas de profissão ao serviço do Benfica estivessem a salvo de um eventual reacendimento.

Nessa missão, tanto Bettencourt como Rui Jorge tiveram a honrosa companhia do "capitão" Pedro Barbosa e do guarda-redes Nélson. Por último, uma saudação é devida a 99% dos componentes da Juve Leo, que com assinalável - e inesperado, dadas as circunstâncias - espírito cívico permaneceram nos seus lugares e recusaram a "aventura".

PUB

Toni

São conhecidas as perdas de memória dos portugueses. Colocam muitas vezes pessoas medíocres ao lado de outras de indiscutível mérito nos píncaros da fama para, na primeira oportunidade, deixarem cair uns e outros pelas ruas da amargura.

O exagero dos aplausos está sempre ligado à intensidade dos assobios ou, o que é muito pior, ao longo silêncio do esquecimento. Lembrei-me disto antes do derby de Alvalade, quando Carlos Lopes era aplaudido por metade do estádio, e mais ainda no final do jogo, quando Rui Jorge imitou o que há 34 anos fizeram, na Luz, o benfiquista Toni e o belenense Estêvão, que protegeram o árbitro da ira dos alienados da época. É bom recordá-los!

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB