O golo do estreante Liedson nos últimos minutos do Dinamarca-Portugal fez com que, matematicamente, a Selecção Nacional ainda se mantenha na corrida para marcar presença na fase final do Mundial de 2010. No entanto, basta olhar para a classificação do grupo e ver os embates que faltam realizar para perceber que a missão é mais que complicada.
Mesmo acreditando que a formação das quinas vai ganhar os três jogos que tem por efectuar (dois com a Hungria e a recepção a Malta), os 19 pontos podem não ser suficientes para, pelo menos, garantir o segundo lugar da "poule" e, dessa forma, continuar a sonhar com a ida à África do Sul.
Vejamos as contas dos nossos adversários directos, deixando de fora a Hungria que, para que Portugal alimente a esperança de chegar aos tais 19 pontos, só poderá somar mais 3 com a Dinamarca, o que perfaz 16.
Dinamarca - A equipa que podia ter sido facilmente batida tanto em Alvalade como em Copenhaga (tantas as oportunidades esbanjadas pelos pupilos de Queiroz), soma 17 pontos. Para terminar acima dos 19 possíveis de Portugal precisa somente de mais 3. Se a lógica imperar, os mesmos devem ser conquistados já na quarta-feira, aquando da deslocação à Albânia. Mesmo um empate será suficiente para aumentar o seu pecúlio para 18, com ainda dois embates por realizar. E onde serão esses jogos? Em casa! Primeiro com a Suécia e depois com a Hungria. Mesmo num cenário caótico nos dois primeiros duelos - derrotas na Albânia e na recepção à Suécia -, a Dinamarca terá, na derradeira jornada, oportunidade de ouro para chegar aos 20 pontos, perante uma então condenada Hungria. É que os húngaros, perdendo os dois jogos com Portugal, só poderão chegar aos 16 pontos, algo que a Dinamarca já tem e Portugal também terá se derrotar os magiares duas vezes, ficando com vantagem directa e tendo ainda um fácil derradeiro jogo, em casa, perante Malta para chegar aos 19.
Suécia - Ao vencer este sábado na Hungria, com um golo muito feliz já nos instantes finais, os suecos passaram a ter 12 pontos. Acreditando que ganhar em Malta, na quarta-feira, será uma mera formalidade, o total passará para 15, sendo que no último dia, em casa, deverão acrescentar outros 3 diante Albânia, o que os colocará com 18. Mas, antes, na Dinamarca, os suecos podem reduzir imenso as já baixas possibilidades lusas. Como? Derrotando um adversário que, em princípio, deve começar o jogo com 20 pontos (se vencer na Albânia). Mesmo um empate em Copenhaga poderá ser suficiente, pois isso deverá levar a formação nórdica para os 19 pontos, o máximo que Portugal pode ambicionar, sabendo também que não temos vantagem no confronto directo (dois empates), nem no saldo de golos, embora isso ainda possa ser resolvido nos três jogos que restam disputar.
Por outras palavras, mesmo somando 3 vitórias nos jogos que aí vêm... só uma tremenda conjugação de resultados favoráveis (a Suécia perder na Dinamarca será muito importante) poderá contribuir para a qualificação de Portugal.
Mas, realisticamente, uma equipa que, até à data, só conseguiu ganhar em Malta e na Albânia (!!!), não merece estar no Campeonato do Mundo. Eu sei que a falta de sorte tem sido constante, que os árbitros parecem ter alergia a assinalar penáltis a nosso favor e que, futebolisticamente, em nada a equipa de Queiroz tem ficado atrás dos rivais. Mas, nesta modalidade (como nas outras), é preciso ganhar para andar entre os melhores. E para que tal aconteça é essencial marcar golos. E isso, culpa nossa, tem acontecido muito pouco. Com esta ou aquela táctica, com estes ou aqueles jogadores...
Para tristeza de todo (ou quase) um País que se já tinha habituado a ver a sua equipa nos grandes momentos do futebol internacional, o mundial africano está cada vez mais distante. E a confirmar-se a ausência lusa será preciso perceber o que falhou. Resumir tudo à falta de sorte e aos erros dos juízes será o primeiro passo para ver o cenário repetir-se na qualificação para o Europeu de 2012.