Quique Flores deixa, como todos sabíamos, o Benfica. Há muito que não havia a mínima dúvida sobre o destino do treinador espanhol, que nos últimos tempos foi vendo que lhe estavam a tirar a toalha debaixo dos pés, enquanto ainda lhe iam dando "palmadinhas nas costas", nomeadamente via comunicados oficais.
Independentemente do julgamento que a direção encarnada tem o direito de fazer ao trabalho de Quique - é assim em qualquer atividade profissional - a forma como a desvinculação acontece é um cartão vermelho a Luís Filipe Vieira. Assim como as manobras acentuadas na última semana para esconder o que estava mais que confirmado.
A chegada de outro treinador não é garantia que o Benfica terá sucesso na próxima época. Quique geriu mal a relação com alguns jogadores, não foi brilhante tacticamente, cometeu erros de ordem diversa mas a principal razão do fracasso não esteve na sua pessoa. O anúncio das contratações foi um show mas durou pouco. A construção do plantel olhou a nomes e não ao conjunto. Gastaram-se milhões sem que houvesse garantias de um retorno mínimo. O buraco financeiro aumentou e o que se pensa fazer é trocar de técnico.
A história que se segue vai ser parecida: novo treinador, outros adjuntos, mais uns quantos jogadores e daqui a uns meses o mesmo problema. A questão não passa por fechar as feridas mas por criar condições para que elas não surjam. Essa sim é uma tarefa difícil mas essencial.