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Jorge Jesus tem um discurso diferente da maioria dos treinadores portugueses. E não o digo apenas por, com relativa regularidade, deixar cair uma "pérolas" que fazem as delícias de muitos. Para o actual treinador do Benfica, as palavras valem o que valem, razão pela qual foge, quase sempre, ao politicamente correcto, ao expectável. Dali, todos sabemos, pode vir sempre algo inesperado. Ainda bem, diga-se. É que cada vez há menos paciência para frases feitas, algo que não agrada aos jornalistas, mas também ao público que, naturalmente, já ouviu os mesmos comentários (ou parecidos) vezes sem conta.
Vem isto a propósito da forma desinibida, bastante confiante e, no entender de alguns, até algo arrogante como Jesus lançou o duelo da segunda mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa. Aliás, logo no termo do jogo em Berlim, o técnico encarnado foi bem claro ao explicar que, em casa, a eliminatória não deveria ter muito que contar.
E foi mesmo assim, facto que ajudou a confirmar a ideia que já tinha ficado do duelo anterior: na Alemanha, os encarnados conseguiram um resultado satisfatório em termos de apuramento, mas ficaram a dever a si próprios uma vitória que, não sendo obrigatória, era mais do que acessível.
Na Luz, nem as más condições atmosféricas foram suficientes para impedir o ataque continuado dos encarnados. Um "score" de 4-0 perante uma formação germânica é, em qualquer situação, um desfecho notável. No entanto, quem assistiu à partida sabe, perfeitamente, que este até foi um marcador simpático para o Hertha. Com um pouco mais de eficiência na hora do remate - e se tal fosse necessário - os benfiquistas teriam pura e simplesmente humilhado esta equipa que, muito dificilmente, não será despromovida na Bundesliga.
Sobre o jogo, já referi, pouco há a dizer. Os argentinos estão cada vez mais entrosados, Cardozo parece caminhar para a forma de há uns meses e, desta feita, Javi Garcia até acertou na baliza certa!
No final, Jesus voltou a estar igual a si próprio e, como falar do jogo pouco ou nada interessava, tratou de enviar "recados". Com o aproximar do final da temporada, o treinador encarnado resolveu alinhar na táctica que outros, mais cedo, resolveram adoptar. Até ao final da época, acredito, isto vai aquecer. E na Luz mora alguém que não vai ter medo do peso de eventuais palavras... O perigo é que, pese tanto fulgor, o Benfica ainda não ganhou nada a não ser jogos e Jesus, como todos os outros, precisa de títulos para poder andar sempre com o coração perto da boca.