A entrevista que Bruno Carvalho deu esta semana à SIC Notícias é importante. A entrevista não rompe silêncio algum, porque silêncio não há nem é possível haver em Alvalade. Mas mostra que Bruno Carvalho está interessado em eleições antecipadas, disponível para candidatar-se – e até à espera que o Sporting lhe caia nas mãos. Mas a entrevista teve um segundo protagonista: Dias Ferreira.
Quando Dias Ferreira afirmou que é difícil atrair um investidor sem ceder a maioria do capital da SAD, fez uma confirmação e uma revelação, que provavelmente resulta do que soube na reunião do Conselho Leonino da semana passada: a confirmação de que não há ainda investidor; a revelação de que será preciso ceder a maioria da SAD para atraí-lo.
O tema é sensível. Perder a maioria é vender o controlo, não do clube mas da SAD. E isso é relevante não só por razões “emotivas”, mas também por razões de governação do Sporting. Porque, nesse caso, a SAD deixa de ser uma entidade instrumental para o clube, passando o clube a ser instrumental para a SAD. A probabilidade de haver conflitos entre os interesses do clube e os interesses da SAD aumenta – e não é pouco.
Dizer isto não é estar contra essa venda, é reconhecer que ela, se acontecer, significa uma mudança radical no Sporting, que passa a ter accionistas com poder (e direito) de reivindicação sobre o clube, que terá de se profissionalizar mais. Bruno Carvalho diz ser contra essa possibilidade. Indiciou que é possível vender minoria cedendo o controlo de gestão (através de acordos parassociais). Mas foi incapaz de explicar como faz de um nó cego um laço solto: quem investirá no Sporting, que perde dinheiro, não detém passes inteiros de jogadores e tem receitas futuras hipotecadas, se não for para mandar? Arrisco responder: ninguém.