Champions, dragões e dérbi

Champions, dragões e dérbi

Quando está em causa a Liga dos Campeões, não se pode falar em sorteios fáceis. Numa prova onde se reúnem 32 das melhores equipas europeias, todos os jogos têm elevado nível de dificuldade e, mesmo as equipas teoricamente mais fracas, por força da motivação de participarem nesta grande competição, conseguem superar-se e ser ossos duros de roer. A sorte ditou grupos equilibrados a Benfica, Sporting e FC Porto, mas as equipas portuguesas partem com legítimas esperanças de chegar aos oitavos-de-final.

Na teoria, o Benfica terá a missão mais complicada, defrontando os milionários do Zenit (revendo assim Garay, Javi García e Witsel) e do Monaco, assim como um Bayer Leverkusen em boa forma, agora orientado por Roger Schmidt, treinador sensação que colocou os austríacos do Salzburgo a praticar um futebol de elevado calibre. As quatro equipas têm valor semelhante, mas vencendo os jogos em casa, para os quais tem de assumir favoritismo e obtendo pontos fora, o Benfica tem condições para chegar aos “oitavos”.

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Quanto ao Sporting, e face às condicionantes do sorteio, pode-se dizer que as coisas poderiam ter corrido pior. Com o Chelsea de José Mourinho colocado num patamar superior, acredito que os leões são mais fortes que o Maribor e terão possibilidades de lutar pelo segundo posto do grupo com o Schalke 04.

O FC Porto também se encontra num grupo equilibrado, mas é claro candidato ao apuramento. O Shakhtar é uma equipa com muita rodagem e possui jogadores de grande valia. A grande dúvida é saber se irá disputar os seus jogos em casa, uma vez que Donetsk está a ser palco de um conflito bélico. O Athletic Bilbao é também uma equipa muito forte, sobretudo em casa, mas o facto de os dragões terem um treinador basco, conhecedor deste adversário, pode jogar a seu favor. O BATE é o adversário mais fraco, mas pela experiência internacional que possui, não pode ser subestimado.

Diga-se que, para estar neste sorteio, o FC Porto cumpriu o primeiro objetivo da época, ao ultrapassar o Lille com total superioridade no playoff. Nos primeiros quatros jogos da época, o FC Porto mostra um conceito de jogo e boas ideias para implementar, focado em defender bem, como atestam os zero golos sofridos, e organizando-se em prol de um futebol de pressão e posse que apenas precisa de ser mais eficaz. Numa equipa com tantos elementos novos e rotinas por criar, era difícil pedir mais. Há qualidade, mas é preciso tempo para evoluir.

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Uma vitória sobre o Moreirense, no próximo domingo, significaria um arranque de época em pleno para os dragões. E por essa hora (faz algum sentido que os dois principais jogos da liga se realizem em paralelo, obrigando os adeptos do futebol a terem que optar por um deles?), os dois rivais de Lisboa jogarão o primeiro dérbi da época na Luz. Um jogo importante numa altura em que o Benfica ainda se encontra a afinar a equipa e com o Sporting a tentar inverter a história recente dos confrontos com as águias.

Com o Benfica à espera de encontrar a melhor forma e com o Sporting apostado em mostrar que é candidato ao título, este jogo surge na melhor hora para as ambas as equipas. Para o Benfica, é a oportunidade de ganhar motivação com a vitória sobre um rival e de o colocar a cinco pontos de distância em apenas três jornadas. Já o Sporting não quererá perder a chance de ganhar vantagem em relação às águias, tirando partido da maior fluidez de jogo que a sua equipa apresenta de momento, pelo que só a vitória lhe interessa. Uma partida que promete.

O CRAQUE

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A serpente argelina

Com um futebol esguio e de elevado recorte técnico, Brahimi está a afirmar-se desde cedo com uma das principais figuras deste FC Porto renovado. Capaz de atuar nas alas e no centro do terreno, o argelino tem-se destacado ainda pela qualidade de passe e pela forma como consegue ler o jogo. Além disso, com o seu drible curto e serpenteante, é muito forte no um para um, o que lhe permite criar desequilíbrios que fazem toda a diferença. A assistir ou a finalizar, Brahimi promete ser uma das grandes armas do Dragão.

A JOGADA

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Feito digno de registo

A próxima edição da Liga dos Campeões vai contar com seis treinadores portugueses. Seremos o país com mais técnicos na prova de clubes mais importante do Planeta, à frente de potências como Espanha, França, Alemanha ou Itália. É um feito fantástico e o reconhecimento a nível europeu da qualidade dos treinadores nacionais. Jorge Jesus, Marco Silva, José Mourinho, André Villas-Boas, Leonardo Jardim e Paulo Sousa têm valor e merecem o prémio de estarem presentes nesta competição.

A DÚVIDA

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Subidas e descidas

Este ano, a 1.ª Liga foi alargada para 18 clubes e a 2.ª Liga passou a ter 24 equipas. Não entrando na discussão sobre os benefícios ou não da decisão, não deixa de causar alguma estranheza que, com tantas equipas no futebol profissional, esteja prevista apenas a descida de dois clubes para a 2.ª Liga. É algo que não favorecerá a competitividade das duas ligas, fazendo com que as equipas se foquem mais no pontinho que ajude a alcançar a manutenção do que em vencer jogos. Se as regras previssem a descida de 4 equipas, mesmo com liguilha, não seria a competição mais interessante e emotiva?

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