Clássicos de sonho

Clássicos de sonho

Quando cheguei a Camp Nou, em 1996, as primeiras coisas que me ensinaram a dizer foram “Visca al Barça” e “Visca Catalunya”, e não foi por acaso. Entre os blaugrana, o futebol vive-se de forma muito especial, abrangente e transversal à própria sociedade catalã. Daí o lema “Més Que Un Club”, e daí o facto de os clássicos que opõem o Barcelona ao Real Madrid serem muito mais do que meros jogos de futebol.

São também questões políticas, conflitos de ideais e rivalidades históricas que extravasam o retângulo de jogo. Por tudo isto, mas também pela qualidade dos jogadores orientados por Luis Enrique, esperava uma réplica mais forte. Isso não aconteceu e o Real dominou a seu bel-prazer. De uma vantagem possível de 7 pontos, o Barça tem agora apenas 1 ponto sobre o eterno rival.

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E se em Espanha o Real cumpriu a missão de não deixar fugir o líder de forma irremediável, hoje é a vez de o Manchester United tentar contrariar o favoritismo do Chelsea de José Mourinho. Mas aqui parece-me que a missão será bem mais complexa... Lembro-me bem dos primeiros tempos de Van Gaal no Barcelona. José Mourinho tinha como missão principal observar os adversários.

No entanto, fê-lo de forma tão competente e irrepreensível que em pouco tempo Van Gaal promoveu-o na hierarquia e puxou-o para bem perto de si na sua equipa técnica. De então para cá, não mais o José Mourinho deixou de crescer como treinador, ao ponto de estarmos, hoje, perante um claro caso em que o aprendiz superou o mestre. Caso confirme esta máxima em Old Trafford, Mourinho pode ter (mais uma vez) o título inglês quase no bolso.

Nota: é impossível abordar um Real-Barça sem falar do duelo Ronaldo-Messi. E mesmo sem ter estado ao seu melhor nível no clássico de ontem, o português distanciou-se mais um pouco do seu principal rival na luta pela Bola de Ouro. Em Janeiro, CR7 deve mesmo somar o seu terceiro título de rei absoluto do futebol mundial, no ano em que menos dúvidas deve haver em relação ao vencedor. Doa a quem doer (Michel Platini incluído), neste momento o melhor do Mundo é mesmo português!

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