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Clubes, autarquias e lógica

Não bastava a "salganhada" em que se transformou a gestão da Câmara Municipal de Lisboa - tanta ou tão pouca que ditou a intervenção da Justiça, a dissolução do executivo e a marcação de eleições intercalares -, agora anda por aí muita gente a dizer cobras e lagartos dos vereadores (e por extensão dos seus partidos e/ou coligações) que decidiram adiar a votação sobre o loteamento dos terrenos onde estava o antigo Estádio José Alvalade.

Sendo completamente "alérgico" a estas questões burocráticas, ainda não percebi (confesso que também não me esforcei minimamente...) muito bem o que está em causa. Segundo me parece, Sá Fernandes, vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, ameaçou interpôr uma providência cautelar argumentando que o processo viola o Plano Director Municipal. Tal medida não agradou aos dirigentes (e muitos adeptos) leoninos. Sustentam Soares Franco e seus pares que, por causa desta acção do autarca, o Sporting está a perder um ror de dinheiro.

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Acredito que os leões estejam mesmo a ser prejudicados monetariamente. Mas, por mais que tente, não percebo porque razão deve ser atacado Sá Fernandes ou outro qualquer autarca. Se a reclamação do representante do Bloco de Esquerda for feita e aceite é porque, no entender dos Tribunais, a questão é pertinente. Logo, só pode e deve ser analisada, independentemente de causar transtornos a quem quer que seja.

Sá Fernandes também já tinha sido protagonista no caso do Túnel do Marquês. E muita gente o considera responsável pelo atraso das obras, assim como pelo aumento astronómico dos custos. Não posso concordar. Se alguém falhou não foi ele, mas sim quem, de forma displicente, mandou avançar uma empreitada sem, primeiro, solicitar todos os estudos necessários. Se bem me recordo faltava mesmo o Estudo Ambiental. E, seguramente, não foi Sá Fernandes quem se lembrou de o considerar obrigatório. A lei, boa ou má, deve ser sempre cumprida enquanto estiver vigente.

Em resumo, penso que em toda esta confusão é irrelevante saber se Sá Fernandes é benfiquista, sportinguista ou do Belenenses, desportivamente falando; do Bloco, PS, CDU ou PSD, na óptica partidária. A ele, enquanto vereador eleito pelos cidadãos, compete fiscalizar tudo o que se passa e zelar pelos dinheiros públicos. Penso que o tem feito, razão pela qual, neste momento, só tenho pena de não ter residência na capital para poder votar nele. O País precisa de gente assim!

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Sei que muitos sportinguistas argumentam que noutras situações Sá Fernandes e a Câmara lisboeta não se mostraram tão vigilantes. Aceito que tenham razão mas, para mim, não se pode cometer um erro alegando que, anteriormente, passaram alguns sem o devido julgamento. Já aqui escrevi e volto a frisar: os clubes portugueses, com destaque para os principais, já substituiram vezes sem conta autarquias e Estado em diversas matérias, logo merecem-me toda a consideração e respeito. Mas, jamais concordarei com irregularidades gritantes. E todos temos tido conhecimento de várias. E como não sabemos da missa a metade...

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