Eliminado da Liga dos Campeões e com 4 pontos de atraso para o Benfica no campeonato, ao FC Porto não resta outra alternativa senão ganhar os jogos que lhe restam. A conquista do tri será extremamente difícil, mas nada é impossível. Uma coisa é quase certa: muito do que os portistas fizerem nestas próximas finais determinará o futuro de Vítor Pereira.
Para continuar a sonhar, os dragões vão ter de reencontrar o bom futebol e colocar um ponto final à quebra de performance exibicional que se verificou em fevereiro, depois do empate com caseiro com o Olhanense. Essa partida marcou o início da perda de fulgor azul e branco, num momento em que a equipa poderia ter-se isolado na liderança. Ao falhar o objetivo, isso afetou os seus níveis de confiança. E a essa “perda de gás” portista juntaram-se também as lesões de jogadores nucleares como James Rodríguez e João Moutinho. Dois motores de alta rotação na máquina da equipa, que os números indicam como sendo os principais municiadores do ataque, autênticos mecenas na hora de criar passes decisivos e servir os colegas nas melhores condições para finalizar.
Por decisão da SAD ou do próprio Vítor Pereira, a verdade é que o técnico tem um plantel que, a dada altura, se revelou demasiado curto para responder a todas as frentes. A equipa mostrou um futebol agradável e dominador, mas a dado momento ficou evidente que precisava de mais soluções de qualidade para lidar com um calendário tão exigente e manter frescura física. É discutível que a equipa não tenha alternativas, que não jogadores adaptados ou atletas da equipa B, aos laterais titulares Danilo e Alex Sandro, deixando de fora dos inscritos um jogador de créditos firmados como Fucile, que podia fazer os dois lados. E no meio-campo nenhum jogador substituiu Moutinho com a mesma eficácia. No ataque, a ausência de James Rodríguez por lesão acabou por se sentir em jogos onde o coletivo não deu resposta. Sem Hulk, o colombiano tornou-se no único desequilibrador com capacidade de decidir jogos e, se não estiver a 100%, perde-se parte da magia. Por seu lado, ninguém faz sombra a Jackson Martínez e só mesmo uma condição física muito má de Liedson pode explicar a escassa utilização do Levezinho até agora, mesmo quando a equipa precisou de marcar golos.
Vítor Pereira socorreu-se de um núcleo duro de 13-14 jogadores, no qual vai apostar todas as fichas no que resta deste campeonato. Agora que Moutinho e James parecem recuperados, se a equipa estiver bem fisicamente e com os índices de motivação em alta, ainda tem uma palavra a dizer neste campeonato. Porém, se o plantel voltar a ser traído por eventuais castigos e/ou lesões, ou não mostrar vontade e alegria em campo, o desafio será complicado. Todavia, é justo dizer que Vítor Pereira está a fazer um trabalho positivo e competente. Aprendeu com os erros do passado, melhorou a qualidade do futebol da equipa e contribuiu para o alto rendimento de vários jogadores portistas. E mais: tem apenas uma derrota em mais de 50 jogos na Liga portuguesa e esta época ainda não perdeu.
No entanto, o futebol vive de resultados e, provavelmente, só o tricampeonato valerá a renovação de Vítor Pereira. Numa equipa com altas expectativas (e orçamento) como as do FC Porto, um ano sem ganhar Liga ou Taça de Portugal é sempre um fiasco. E, perante tal sentença, Pinto da Costa poderá optar pela mudança de treinador, mas o presidente portista também costuma ser pródigo em surpresas.
O CRAQUE
Chegou em boa hora
Face à impossibilidade de utilizar Cristiano Ronaldo e Nani no jogo com o Azerbaijão, Vieirinha foi uma nova solução encontrada pelo selecionador Paulo Bento. O extremo português já tinha deixado boas indicações na partida de estreia com Israel e voltou a estar em bom plano no jogo com os azeris. As passagens por Grécia e Alemanha deram maior traquejo a este jogador de 27 anos formado nas escolas do FC Porto. É habilidoso, usa a velocidade para dar profundidade aos corredores e tem facilidade em assistir os companheiros da frente. Uma boa opção para a equipa das quinas.
A JOGADA
Delicado para Inácio
Na próxima semana, o Sporting vai receber o Moreirense. Curioso o facto de Jesualdo Ferreira enfrentar a equipa de Moreira de Cónegos, neste momento orientada por alguém que será seu superior hierárquico na próxima época: Augusto Inácio, que será um dos braços-direitos do recém-eleito presidente Bruno de Carvalho na gestão do futebol leonino. Resta saber até que ponto esta situação irá gerar um conflito de interesses. Pelo menos, e independentemente do resultado da partida, estará sujeita a possíveis críticas.
A DÚVIDA
Possíveis efeitos da crise cipriota
A exemplo de outros países, entre os quais Portugal, o Chipre pediu assistência financeira. Muitos Estados viveram acima das suas possibilidades e agora estão a pagar a fatura dessa ousadia. Os problemas podem também chegar ao futebol cipriota e neste momento há cerca de 70 futebolistas portugueses a atuar naquele país, atraídos por salários muito superiores aos que auferiam em Portugal. Até que ponto esta crise também vai “tocar” aos clubes de futebol do Chipre? Assistiremos a uma debandada geral dos jogadores lusos daquele país?