Pinto da Costa escolheu o treinador sensação da temporada para orientar o FC Porto nos próximos 2 anos. Habituado a fazer brilharetes ao volante de veículos mais modestos, o técnico terá agora um Ferrari nas suas mãos. A aposta envolve riscos de despiste para ambas as partes, mas no Dragão arriscar também significa ganhar.
Substituir um treinador que apenas perdeu por uma vez em 60 jogos no campeonato não é uma tarefa fácil. A fasquia é alta e Paulo Fonseca tem consciência de que apanha o carro em andamento. A mudança de treinador está intimamente ligada à ambição do clube e do seu presidente. Os dragões querem subir um degrau qualitativo e aumentar a chama vencedora.
No FC Porto, como se vê, não basta ganhar campeonatos. É preciso ter sucesso nas taças, ir longe nas competições europeias e, acima de tudo, proporcionar bons espetáculos. A cultura de vitória assim o exige e os adeptos não hesitam um segundo na cobrança. Nos últimos dois anos, as assistências no Dragão têm vindo a baixar e a mudança no comando técnico também se explica com a procura de um melhor futebol.
A exemplo de outras escolhas do passado, o FC Porto volta a apostar num treinador português, jovem, ambicioso e sem títulos conquistados. Paulo Fonseca fez o “impossível” em Paços de Ferreira e o seu valor conquistou os dirigentes portistas. A forma como prepara e lê os jogos, a metodologia de treino evoluída, a construção de equipas compactas na defesa e no ataque, e o modo como se relaciona com os jogadores foram qualidades apreciadas.
Ao aceitar este desafio, o jovem treinador também coloca o prego a fundo na sua curta carreira. Com apenas um ano de experiência no escalão principal, sabe que não pode falhar para se manter no patamar a que chegou. Pelo discurso sereno e humilde, a noção do que representa o FC Porto, a confiança demonstrada e a vontade de aprender e continuar a evoluir, os primeiros indícios são positivos.
Mas a falta de experiência num clube de topo, como jogador e treinador, poderá fazer-se sentir. O tricampeonato é uma herança pesada. E veremos como Paulo Fonseca vai lidar com um bólide de maior exposição mediática e a pressão nos grandes jogos. Sendo o FC Porto um clube com má imprensa, o discurso terá, inevitavelmente, de mudar. No entanto, o apoio da elogiada estrutura portista ajudará a superar essas dificuldades.
Com as saídas de James e Moutinho, e outras que se venham a efetuar, a missão de Paulo Fonseca fica mais difícil. Terá de construir uma equipa sem alguns pilares essenciais das conquistas anteriores. A perda de João Moutinho, pela enorme importância que o médio tinha no esquema tático dos dragões, será a mais complicada de colmatar. Os portistas terão de encontrar outro motor de alta rotação.
E se no ano passado, o plantel portista se revelou curto, as saídas recentes acentuaram o problema. O FC Porto já contratou alguns jovens promissores, mas ainda faltam aquisições capazes de entrar diretamente para o onze inicial e que possam ser mais-valias no elenco azul e branco. O meio-campo e o ataque vão necessitar de novas referências para dar maior poder de fogo à equipa.
Oficializada a contratação, Paulo Fonseca vai analisar os ovos que tem à sua disposição e acelerar a receita para uma época que os portistas desejam ser de novos sucessos. O plantel vai começar a ser definido e as lacunas identificadas. A meta é a conquista do tetra, mas o povo pede sempre mais...
O CRAQUE
O maestro fogaceiro
Quem acompanhou a 2.ª Liga, não lhe poupa elogios e augura-lhe grande futuro. Com apenas 20 anos, Rafa Silva foi a figura maior do Feirense na última temporada. Este médio-ofensivo, que também atua como extremo, apontou 10 golos na época de estreia como profissional. Dá nas vistas pela técnica acima da média, criando desequilíbrios no um para um. Rápido no transporte de bola, assume as despesas do jogo e assiste os colegas com qualidade. Além disso, surge várias vezes em zona de finalização. É um maestro que merece a 1.º Liga, para se ver se tem condições para ir ainda mais longe.
A JOGADA
As contratações do Benfica
Filip Djuricic, Miralem Sulejmani e Lazar Markovic. Com estes reforços, entre outros já assegurados, o Benfica promete ter uma frente de ataque demolidora. Ao contrário de outras épocas, em que a aposta recaiu em sul-americanos, o mercado europeu está a ganhar a preferência das águias. São atletas jovens, com grande potencial de valorização e alguma experiência internacional. Se o critério de recrutamento para a defesa e o meio-campo mantiver o mesmo nível de qualidade, as águias estarão a construir um plantel muito forte.
A DÚVIDA
Como controlar as redes sociais?
No passado, os clubes de futebol tinham maior facilidade em fechar o balneário, encobrir insatisfações e não transmitir fragilidades para o exterior. Na era das redes sociais, isso é mais complicado. Quase todos os jogadores estão presentes no mundo virtual e facilmente dão a conhecer o que lhes passa pela cabeça. O portista Fernando foi o caso mais recente. Resolveu usar as redes sociais para dizer que quer sair do clube. Com isto, enfraqueceu a margem negocial do FC Porto. E o que podem fazer os clubes? É muito provável que, no futuro, os contratos dos jogadores de futebol venham a incluir cláusulas relativas às redes sociais.