Coração e ilusão

Coração e ilusão

1 Alma, coração e uma enorme vontade de contrariar o resultado adverso. O Sporting operou a reviravolta frente ao Gil Vicente e Sá Pinto pôde manter-se no cargo. Pelo menos para já, foi só isso que os leões demonstraram de diferente em relação aos outros jogos disputados para a Liga. A primeira vitória na prova foi construída apenas sobre alicerces do foro psicológico, pois em termos técnico-táticos a resposta da equipa teve semelhanças à dos encontros anteriores.

O jovem treinador bem mudou o sistema, e na conjuntura em que vivia (ou ainda vive) não pode ser acusado de falta de ousadia, mas a produção futebolística dos leões não sofreu melhorias substanciais. Enfim, a partida com Gil Vicente, que parece ser uma das equipas de menores recursos do campeonato, serviu como uma espécie de balão de oxigénio, mas cuja validade expirará em breve se à tal garra leonina não se juntar a fluidez na construção de jogo, a eficácia no momento da finalização e, já agora, o rigor defensivo entretanto perdido desde a lesão de Boulahrouz.

PUB

2 O Benfica, por seu turno, deixou fugir o FC Porto no topo da liderança e iniciou uma cruzada contra Carlos Xistra, não assumindo que o empate em Coimbra pode ser explicado por inúmeros outros fatores que não apenas pela noite desinspirada – ou até mesmo a premeditação como chegou a afirmar-se – do árbitro albicastrense. Confesso que, à quarta visualização de cada lance polémico, continuo com dúvidas. Parecem existir apenas dois penáltis: um assinalado, sobre Hélder Cabral, e outro por marcar, sobre Nolito. Menos subjetivos são, no entanto, outros dados: os golos incrivelmente falhados por Cardozo, a injustificada titularidade de Bruno César em detrimento de Gaitán ou Nolito, e a insistência na adaptação de Enzo Pérez ao miolo com pelo menos Carlos Martins disponível.

3 Não está a ser fácil a adaptação aos novos campeonatos daqueles que mais mexeram com o mercado de transferências em Portugal. Javi García ganhou facilmente a titularidade no Manchester City, até marcou na estreia, mas fez um jogo sofrível em Madrid e outro a ultrapassar o medíocre, no domingo, frente ao Arsenal. Witsel e Hulk estão bem pior. São alvos da inveja dos companheiros no Zenit. O espanhol mostrará mais tarde ou mais cedo a sua categoria, mas resta saber se o belga e o brasileiro terão tal oportunidade.

4 O campeonato alemão presenteou-nos na noite de ontem com excelentes espetáculos. É há muito o terceiro melhor da Europa, a seguir a Inglaterra e Espanha.

PUB

Deixe o seu comentário
PUB
PUB