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Fazendo uma analogia com o ciclismo, podemos dizer que Benfica e FC Porto estão numa corrida ao sprint, na qual as águias de momento levam uma distância de 4 metros (pontos). O clássico deixou os encarnados em vantagem e com tudo a seu favor. Mas é bom referir que a meta ainda não foi cortada. Aos dragões resta continuar a vencer e acreditar em dois deslizes do adversário.
Este ano vimos uma nova abordagem da equipa de Jorge Jesus aos confrontos com os rivais FC Porto e Sporting. Em vez da tradicional postura ofensiva, com ataques rápidos focados na baliza adversária, que nem sempre resultou no passado, vimos um Benfica recuado, pragmático e resultadista. Entre jogar bonito ou ganhar pontos, as águias optaram pela segunda via.
Dá para perceber que, ao longo das seis épocas que leva ao serviço do Benfica, Jorge Jesus começou a ler estes embates de forma diferente, acrescentando-lhes um peso tático cada vez maior. Esta é também uma forma de reconhecer erros do passado e tentar evitar que eles voltem a acontecer. Os adeptos encarnados podem não gostar lá muito das exibições nestes jogos, mas dando resultados e títulos, isso é o que mais lhes importará.
Serve isto para dizer que, numa corrida de longa distância como é o campeonato, não basta jogar bem. Isso nem sempre vai acontecer, ou porque a equipa está desinspirada a dado momento ou porque o adversário não deixa. Nesses momentos, a nota artística deixa de ser um requisito, dando foco ao objetivo de conquistar os pontos necessários para manter a equipa na frente, mesmo que isso implique saber viver no momento defensivo e lidar com uma atitude antinatural. Para tal é preciso frieza, paciência, espírito de sacrifício e também alguma dose de sorte (como o golo nos descontos em Alvalade).
É certo que as coisas estão mais difíceis para o FC Porto. Mas também é verdade que o dragão não caiu da bicicleta e ainda há a possibilidade real de cortar a meta em primeiro. Não estou a ver a equipa de Lopetegui a desistir e atirar a toalha ao chão. Vai manter os níveis de concentração em alta e tentar vencer todos os jogos para ganhar algo mais do que o segundo posto. A história recente mostra-nos que as reviravoltas são possíveis. E para conquistar este título, Benfica e FC Porto ainda vão ter de pedalar por isso. Aliviar a pressão neste momento seria fatal para qualquer um dos lados.
Nesta corrida, águias e dragões vão precisar dos seus sprinters, leia-se principais estrelas, na melhor forma. Não vimos o melhor deles no clássico, porque não tiveram espaço para brilhar e fazer a diferença, mas nesta fase final do campeonato o seu contributo será vital para alcançar o título. Só assim se poderão superar os obstáculos que faltam para se fazerem as contas finais.
O Benfica receberá o aflito Penafiel e um (ainda?) candidato a um lugar europeu Marítimo, tendo de viajar até Barcelos, onde encontrará o Gil Vicente, ávido por pontos que lhe possam permitir ainda a manutenção, e até Guimarães, jogando perante um Vitória que ainda não garantiu matematicamente um lugar nas competições europeias. Já o FC Porto recebe Gil Vicente e Penafiel (a precisarem de pontos) e terá duas deslocações abaixo do Mondego, Belenenses e V. Setúbal, zona geográfica de onde não está a conseguir trazer vitórias há vários jogos. Motivos mais do que interessantes para manter a emoção do campeonato em alta.