Opinião
Sérgio Krithinas Diretor executivo

Costas largas

"Primeira lição: nunca responsabilizes pelos teus fracassos outra pessoa antes de a ti próprio. Nem se tiveres razões." As palavras são do escritor espanhol Lorenzo Silva e foram publicadas no jornal "El Mundo" no dia seguinte à final da Liga dos Campeões da época passada como um elogio ao comportamento de Diego Simeone, que viu o seu Atlético de Madrid perder esse jogo de forma quase dramática diante do Real Madrid. São, no fundo, um manual de instruções para um comportamento na vida e no desporto há muito enterrado por todos para quem ganhar é a única coisa que interessa, seja ao preço que for. 

Faz este sábado uma semana, Jonas entrou em campo diante do Marítimo com o objetivo de tornar-se no melhor marcador do campeonato português. Faltavam-lhe três golos. Marcou dois e falhou outros dois na cara do guarda-redes. O árbitro assistente também falhou, anulando mal outro golo. Perto do final, o colega Lima teve oportunidade de lhe oferecer o hat trick, mas permitiu que o guarda-redes Wellington intercetasse o seu passe. No final, a culpa por Jonas não ter ultrapassado Jackson Martínez era só de uma pessoa: do tal assistente. Por muito que, naquele jogo, como em qualquer um, todos tenham errado: fossem passes simples, golos cantados ou faltas mal assinaladas. Mas ninguém se lembrou dos dois lances de golo falhados por Jonas nem do mau passe de Lima. 

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Esta polémica acabou por ser menor, porque o que estava em causa era um prémio também menor. Mas o princípio está lá e ajuda a justificar, época após época, os falhanços de cada clube. Se ganha o Benfica, é por causa do "colinho"; se ganha o FC Porto, é por causa da "fruta". Enquanto os árbitros forem humanos vão errar. Da mesma forma que jogadores, treinadores e dirigentes. O problema é que ninguém parece ser capaz de fazer a si próprio uma pergunta que devia ser a primeira de todas: "E eu, onde falhei eu?"

Este exercício de responsabilização própria é o primeiro passo para que cada um melhore no dia a dia. Enquanto todos estivermos convencidos de que a culpa é só dos outros, ficaremos à espera que os outros melhorem para que a nossa vida melhore. É o caminho mais fácil, mas não leva a lado nenhum.

Por Sérgio Krithinas
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