Costinha resolve

Costinha resolve

Se, numa empresa, um número três dá uma entrevista a pôr em causa o número um e o número dois, há um problema com o número três, um equívoco com o número dois e uma catástrofe com o número um. Obviamente, resolve-se o problema: despede-se o número três. Fica portanto o equívoco e a catástrofe.

É o que se passa no Sporting. A entrevista de Costinha não é bem um “pôr em causa” Couceiro e Bettencourt. É mais um arrasar com tudo. E o primeiro a cair é naturalmente o “homem-bomba”, que neste caso tinha até pouco a perder. Nunca se percebeu se Costinha é competente. Percebeu-se que ficou sem funções nem poder quando lhe colocaram uma “camada” por cima, na contratação de Couceiro. Com esta entrevista, indisciplinada e incendiária, Costinha caiu de pé. Suficientemente de pé para ficar na reserva para um próximo jogo. Ficou um herói do sportinguismo. Mas, caindo de pé, deitou o resto tudo abaixo.

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Se Costinha foi um pequeno erro de contratação, o que nem chegámos a saber, Bettencourt foi um erro colossal de eleição. Já aqui o dissemos e não vale a pena bater mais no ceguinho. A não ser para dizer isto: a forma como deixou o Sporting mergulhou o clube no caos. Para sair não basta ter assomos de dignidade – é preciso ter capacidade de sacrifício e, eventualmente, de abnegação. Para permitir uma transmissão tranquila.

A única vantagem deste processo é que põe o Sporting a nu: este é um clube com as suas finanças na absoluta pobreza. Um fidalgo com mais pose que posses. Como diz o ditado, “sapatos brancos em Janeiro é sinal de pouco dinheiro”. Em termos económicos, o Sporting é uma “bolha” que está a estoirar, um dominó de dirigentes que se derruba, um castelo de cartas que desaba.

Agora, eleições. Candidatos não faltam e acenam todos com cheques em branco. É melhor ver se estão visados. E por quem.

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