O puto já não é puto - daqui a poucos dias faz 30 anos e a idade dos futebolistas é como a dos cães, anda mais depressa. Ele estava supostamente estoirado, ele estava a começar a descer, ele tinha o joelho martirizado, ele tinha feito um Campeonato do Mundo muito fraco - a época gloriosa acabava quando começassem as férias grandes, era isso que estava escrito nas estrelas… dos outros, não nas dele. A única pessoa que escreve a vida de Ronaldo é ele próprio. Agora, depois de ter ganho "três vezes esta bolinha", quem o agarra?
É natural que sintamos uma pulsão patriótica por Ronaldo. Mas se ele tivesse nascido na Sibéria ou na Cochinchina, o fervor não seria o mesmo mas a admiração sim. Os últimos meses do jogador foram extraordinários, mostrando que as lesões do verão foram superadas.
Ao receber a terceira Bola de Ouro da sua carreira, Cristiano Ronaldo agiu como provavelmente tinha ensaiado, a fim de evitar a choradeira do ano anterior. Seja: até o grito final há de ter sido pensado. Mesmo assim, Ronaldo deu uma prova de afirmação à frente dos presidentes dos organismos de futebol que antes o quiseram desdenhar. Os cães ladram mas Cristiano passa, vai passando, ano após ano.
Aprendamos com Ronaldo. Com o seu exemplo. Não apenas com a sua força inesgotável, física e mental, mas com a sua crença. Aquele "siiiim!" (mas quem é que em Portugal grita "siiim"?!) é um grito de vitória. Uma vitória que ele quer prosseguir nos próximos anos, mesmo sabendo que não pode ter muitos mais de apogeu.
Talvez este ano que passou tenha mesmo sido o melhor da carreira de CR7 (e um dos piores de Messi, já agora). Mas ele quer mais e melhor. Ser Pelé, ser Maradona, ficar na história do futebol mundial. Para sempre. E nós, portugueses, com ele, agradecendo-lhe as alturas a que nos leva.