1 - Foi óbvia a frustração de Cristiano Ronaldo quando percebeu que não conseguira mais que o terceiro lugar na eleição de melhor futebolista mundial de 2007. Compreendo a sua insatisfação, pois quem está num nível tão elevado só pode contentar-se em ser o número 1 mas, convenhamos, ser terceiro é excelente, embora custe a admitir que possa ter ficado atrás de Messi quando o argentino, azarado, passou vários meses do ano lesionado. Adiante...
Competidor nato, Ronaldo não quis esperar muito para provar que, no mínimo, só poderia ter sido batido por Kaká (e tudo devido aos êxitos internacionais do AC Milan). A forma como guiou o United na vitória perante o Everton - duelo onde marcou mais 2 golos e reassumiu a liderança dos goleadores em Inglaterra - foi mais que um grito de revolta ou um acto de vingança. O madeirense tratou de enviar uma mensagem bem clara: não está disposto a figurar em lugares subalternos em 2008. Esse pode e deve ser o seu ano. Que os companheiros do United e da Selecção Nacional o ajudem a arrebatar uns quantos troféus. Mas, se tiver de ser apenas um... espero ver nas suas mãos aquele que vai ser disputado nos relvados suíços e austríacos.
2 - Mas, lá por fora, outros jogadores lusos de qualidade acima da média teimam em não acertar o passo, com destaque para Maniche. Depois dos problemas no Benfica, na Selecção e no Dínamo de Moscovo, chegou a vez de "pisar o risco" no Atlético Madrid. Ainda não percebi, ao certo, o que se terá passado entre o futebolista e o técnico madrileno (fala-se na simulação de uma lesão), mas o que importa é que o internacional português, quando devia ser uma das figuras do Atlético, nem sequer é convocado e, pelos vistos, terá mesmo de mudar de clube na reabertura do mercado. É pena. Maniche é um excelente futebolista, pode ser fulcral no Europeu de 2008, mas precisa, de uma vez por todas, de perceber que trabalha numa indústria muito específica e com regras próprias.
Manuel Fernandes, outro dos poucos produtos de valor saídos da escola de formação do Benfica nos últimos anos, também não vive dias fáceis em Valência. O seu nome surge referenciado como um dos possíveis alvos da "revolução" levada a efeito por Ronald Koeman. Independentemente das razões do técnico holandês, o que se sabe é que um jogador notável caminha, a passos largos, para mais uma experiência internacional pouco famosa. Em Inglaterra, é verdade, ainda foi protagonista, mas por esta ou aquela razão ninguém avançou para o contratar. Agora, quando devia estar a afirmar-se de vez no galarim do futebol europeu e na Selecção, o médio parece estar a perder o comboio do Europeu. A culpa não pode ser só dos outros...