Uma das melhores recordações que guardo da minha carreira é o reconhecimento individual de que fui alvo em 2004, quando fui considerado o melhor guarda-redes da Europa, depois de ter passado por dificuldades com lesões em anos anteriores. Nesse ano fui campeão nacional, ganhei a Champions League e fui o melhor guarda-redes em ambas as competições, pelo que nem a minha (incompreensível) ausência da Seleção no Euro’2004 colocou em causa a justiça dessa distinção.
Acima de tudo, na atribuição de prémios individuais é importante que sejam definidos os critérios de eleição. No meu caso, foi simples: às conquistas coletivas somei a qualidade exibicional e a influência direta nos títulos. Parece-me justo. Mas hoje impôs-se uma anarquia que leva a que todos se sintam no direito de contestar as nomeações e os prémios. Assim se passa na atribuição da Bola de Ouro, mas também nos prémios UEFA, na escolha do treinador do ano e até na eleição dos melhores de cada liga doméstica, como agora em Espanha. Numa sociedade ultramediatizada é natural que os votos recaiam mais naqueles que nos são mais vezes “oferecidos” pela comunicação social, e por isso é fundamental que os critérios de eleição sejam definidos, explicados e públicos. Jesus tem razão em contestar a sua ausência nos dez finalistas para treinador do ano? Simeone tem razão em questionar a ausência de jogadores do Atlético nos melhores da Liga espanhola? Blatter tem razão em criticar a escolha de Messi como melhor jogador do Mundial? Platini tem razão em contrariar sistematicamente a escolha de Ronaldo como Melhor do Mundo? Até que os critérios sejam claros, todas as opiniões são válidas. Até a minha!
PS – Aqui ficam os meus três finalistas da Bola de Ouro, nas categorias de Melhor Treinador e Melhor Jogador: Joachim Löw, Simeone e Ancelotti; Ronaldo, Diego Costa e Neuer. O meu critério é fiel àquele que ditou a minha distinção em 2004: conquistas coletivas somadas à qualidade e à influência nos títulos. Continua a parecer-me o mais justo.