Cruzes de Jesus

Pese tudo o que de positivo já mostrou esta temporada, a verdade é que foi Benfica o primeiro dos grandes a ficar "fora de combate" numa das competições. Aconteceu na Taça de Portugal, com as águias, em plena Luz, a serem batidas pelo V. Guimarães. Um balde de água fria a uma semana da deslocação a Alvalade.

Para além de ter referenciado a fraca primeira parte da equipa, Jesus queixou-se da falta de sorte. Assiste-lhe alguma razão, pois os encarnados dispuseram de ocasiões suficientes para, pelo menos, forçar o prolongamento. Mas, esta partida, não foi diferente de outras em que, ao invés, foram as águias bafejadas pela felicidade. Recordo, por exemplo, o triunfo em Guimarães na segunda jornada da Liga. O Benfica ganhou em cima do final, depois dos vitorianos terem desperdiçado duas boas oportunidades para marcar.

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A sorte (ou a ausência dela), no futebol em qualquer outro desporto, tem um peso significativo, pois não há campeões azarados. Mas, neste Benfica-V. Guimarães, os locais não devem descartar responsabilidades e culpar apenas os deuses da fortuna. Os encarnados realizaram a exibição menos conseguida da época em casa. E se pressionaram a sério nos últimos instantes, durante muito tempo limitaram-se a ter posse de bola, a rematar mais vezes, a ter cantos e livres, mas sem protagonizar grande número de claras oportunidades.

Jesus começou por dar de avanço ao escalar Keirrison como titular. Já o disse e reafirmo: o brasileiro tem potencial, margem de progressão, um enorme cartel no seu país mas, para já, não revela qualidade suficiente para merecer, em partidas "a doer", alinhar de entrada. Intrometer-se entre Cardozo e Saviola não passa pela cabeça de ninguém e ser terceira opção, à frente de Nuno Gomes e Weldon, pelos vistos, só na do treinador. Durante largos períodos, o dianteiro é um a menos!

O jovem sul-americano havia marcado no particular com o Santa Clara e Jesus voltou a apostar nele. Deu-se mal. E pior ficou porque, mais uma vez, não foi célere a ler o jogo no banco. Ou se leu depressa... agiu devagar e mal. O Benfica podia e devia ter mexido mais cedo e se Aimar, Di Maria, Coentrão ou Ramires jogaram abaixo do normal, a primeira alteração teria sempre de envolver Keirrison. Jesus aguentou-o 80 minutos, perante o desespero da plateia... e satisfação dos defesas contrários.

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De resto, também começa a ser evidente que Coentrão não deve, por norma, ser lateral. Ao pretender transformar uma adaptação momentânea numa solução definitiva, o técnico está a arriscar em demasia, mais que não seja porque corre o risco de ver um atleta - que estava em alta - perder o fulgor.

Mas, os problemas de Jesus não se ficam pelas escolhas (inclusive as tácticas, conforme se viu pera infrutífera troca de lado entre Ramires e Di María). Se ninguém lhe nega a arte para preparar (e motivar) os jogadores antes das partidas, parece que ainda não foi capaz de passar a mensagem correcta depois de a equipa se ver em desvantagem. Esta foi a quinta vez esta época, em jogos oficiais, que os lisboetas sofreram o primeiro golo do encontro e, coincidência ou não, não ganharam um único, tendo mesmo perdido quatro deles!

Em finais de Janeiro, na 18.ª jornada da Liga, Jesus voltará a encontrar o V. Guimarães na Luz. Dirão alguns que será uma excelente ocasião para "acertar as contas". E até pode ser. Contudo, nessa altura, para além de ter de encontrar a melhor maneira de ludibriar a teia defensiva que Paulo Sérgio voltará a utilizar, o treinador encarnado terá de conseguir mentalizar os seus jogadores para uma missão que há muito se tornou uma autêntica dor de cabeça para as águias: bater Nilson em casa. É que o guardião brasileiro vai em quatro jogos consecutivos a sair da Luz sem ir buscar a bola dentro da sua baliza...

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