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O presidente Abraham Lincoln disse um dia que “quase todos os homens são capazes de aguentar a adversidade, mas se quisermos testar o seu caráter, devemos dar-lhes poder”. Se substituirmos adversidade por derrota e poder por vitória, a lição moral certeira de Lincoln mantém-se e pode bem ser aplicada ao futebol. O que Lincoln não disse, mas é também verdade, é que a forma como alguém exerce o poder dá-nos muitos indícios sobre o modo como essa pessoa enfrenta a adversidade. Lembrei-me disto depois de assistir à derrota do Porto este domingo.
São conhecidas as características da cultura de vitória do Porto de Pinto da Costa. Foi construída na década de 80 com tutela das arbitragens, parcerias estratégicas com outros clubes, intimidação contínua da comunicação social e um milagre clínico, capaz de pôr qualquer jogador a correr com intensidade. Resolvido o problema da acumulação primitiva de capital, o caminho ficou oleado e o talento para a chefia de Pinto da Costa, alavancado por uma mole de adeptos com cultura tribal, fez o resto.
Hoje, é sabido que o Porto não sabe ganhar, mas é ainda mais chocante a sua incapacidade para perder com o mínimo de dignidade. A ausência de civilidade nas vitórias torna-se ainda mais chocante nas derrotas.
Este ano tem sido pródigo em exemplos disso mesmo: atrasos no início dos jogos; regresso dos empurrões a jornalistas e as costumeiras declarações boçais do presidente. Ainda ontem, conhecida a escolha dos treinadores da 1.ª e da 2.ª Ligas para o prémio de Melhor Jogador de 2013, promovido pela TSF, ficámos a saber que, em 38 técnicos, haviam votado 36 – sabem quem foram os abstencionistas? Os treinadores do Porto e do Porto B. O mesmo mau perder de sempre.
Dir-me-ão que não há nisto nada de novo. É, em parte, verdade. Desta feita existe uma diferença significativa: o Porto está a perder ao mesmo tempo que há sinais de que a estrutura dirigente erigida por Pinto da Costa começa a apresentar muitas fissuras.