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Já não há equipas portuguesas nas provas europeias. O Benfica, o último emblema nacional a tombar, falhou as meias-finais da Taça UEFA às custas de um Espanyol consistente a defender, mas visivelmente sem o talento dos encarnados. Mas, sendo assim, qual a razão que ditou o afastamento das águias? Sei que muitos consideram a falta de sorte a principal responsável pela eliminação e, de facto, uma ligeira ajuda divina podia ter sido suficiente para escrever outra história, mas convém também recordar que os catalães falharam boas ocasiões nos instantes finais do primeiro embate e entraram na Luz praticamente a acertar no poste.
Para mim, o que falhou foi a já célebre filosofia masoquista da equipa de Fernando Santos em dar avanço aos opositores. Foi assim em Barcelona, no duelo caseiro com o FC Porto e na igualdade em Aveiro. Invariavelmente, as águias desaproveitaram as primeiras partes e só acordaram com o "placard" em desvantagem.
Desta feita, é verdade, o Benfica não esteve a perder. Mas voltou a deitar fora 45 minutos. Ainda assim, nem tudo foi mau. O treinador já percebeu que Rui Costa, bem ou mal fisicamente, tem de jogar sempre de início pela simples razão que é melhor que a maioria dos companheiros. E se está com problemas de ritmo ou de confiança, gostava que me ajudassem a definir o que se passa, por exemplo, com Nélson, futebolista que goza de um estatuto invejável num clube de nomeada: não tem concorrente directo para o posto de lateral-direito, pois se o técnico duvidou de Daviz Luiz, imagine-se vê-lo a chamar um desconhecido que dá pelo nome de Pedro Correia.
O Benfica foi eliminado da Taça UEFA porque, em Espanha, fez uma primeira parte ao nível daquela inesquecível jornada de Vigo. Melhorou na última meia-hora (e muito), é justo dizer, mas depois do segundo golo optou por manter o resultado. Caso tivesse tentado ir à procura do empate, talvez o filme final do duelo tivesse sido diferente, pois os opositores estavam mais "encostados" nesse período que em toda a partida da Luz. Só gostava de saber se foram os jogadores que decidiram baixar o andamento do jogo ou se a indicação partiu do banco...
Mas, bem vistas as coisas, o que aconteceu foi apenas a continuidade da tradição. O Benfica não venceu pela quarta vez consecutiva; permanece numa onda de mais de duas décadas sem derrotar equipas do país vizinho e o Espanyol mantém esse estranho (tendo em conta a sua apenas aceitável qualidade) registo de não ter perdido ainda um só embate europeu - esta temporada - na condição de visitante. Mais: a Espanha, depois do brilharete inglês na "Champions", coloca três equipas nas "meias" da UEFA. Em resumo: tudo normal.
PS - Fernando Santos fez a vontade ao Mundo e deu a titularidade a Rui Costa. No seu estilo benemérito, concedeu também a Mantorras mais minutos do que é costume. Agora, ninguém pode dizer que ele não decidiu em conformidade com as opiniões generalizadas. Mais uns tempos e até é capaz de desistir de lançar Derlei que, coincidência, ainda não foi desta que marcou um golo. A Santos, pode dizer-se, só faltou uma mãozinha dos seus homónimos lá no céu...