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Deco e Queiroz: calados era melhor

Não foi só a exibição diante da Costa do Marfim que deixou a desejar. Algumas das declarações de elementos da comitiva lusa, finda a partida, também podiam ter sido evitadas porque, feitas as contas, em nada ajudaram a serenar o ambiente. Bem pelo contrário. E num momento em que é preciso juntar forças para atacar a Coreia do Norte, Portugal passava bem sem conversa fiada.

Sou (fui e serei sempre) favorável a que qualquer membro de uma equipa possa dizer o que pensa. E, nesse sentido, é legítimo que Deco, a quente ou a frio, venha a público assumir que o conjunto não jogou bem, que era possível fazer mais, que talvez fosse melhor adoptar outros modelos tácticos. Concordo igualmente que o luso-brasileiro, assim como qualquer outro jogador, não deve ficar satisfeito por ser substituído. Mal do profissional que goste de ser preterido, independentemente da opção ser óbvia para o treinador e/ou para os adeptos.

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Mas, tal como jogar futebol ao mais alto nível não pode ser para qualquer um, ser crítico sem "pisar o risco" também não é para todos. E nesse particular Deco esteve mal. Provavelmente ainda pior que dentro do campo. As palavras e a forma utilizadas para dizer o que sentia configuraram uma crítica forte ao seleccionador. Quando se afirma que "todos sabem que não jogo na direita" ou que "não é assim que se ganham jogos" o futebolista deixa subentendido que só o responsável é que não está ao corrente desses "pormenores". Se quisermos levar a coisa à letra, é uma maneira relativamente indiscreta de colocar em causa os seus conhecimentos. E isso, mesmo que seja verdade, não fica bem.

Propositadamente fiz questão de deixar passar algumas horas até abordar o tema. Tinha o "feeling" - sim, também tenho alguns - que as declarações de Deco iriam ser motivo de esclarecimento posterior. Não me enganei. Tal como sucedeu há dias com Nani, também neste caso dizem que as interpretações foram erradas. Para mim, se existiram erros (e penso que sim) não foram nas interpretações.

Sobre Deco gostava ainda de acrescentar que, horas depois do sucedido, também podia (e devia) ter pedido desculpas por se esquecer de ir para o banco aquando da sua substituição. Caminhar directamente para o balneário, independentemente da azia do momento, revela tremenda falta de respeito pelos companheiros.

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Carlos Queiroz, por seu lado, também esteve infeliz ao gastar tempo de antena com o sim da FIFA à utilização de Drogba com uma protecção especial no braço. No final do jogo, e sem que o avançado tenha sido protagonista de algo relevante, para quê perder tempo com isso? Para quê estar potencialmente a comprar uma "guerra" com a entidade que gere o futebol mundial?

Se, como desconfia, surgir um tratamento diferente aquando do Costa do Marfim-Brasil, aí sim, Queiroz terá toda a legitimidade para fazer barulho. Agora, após um decepcionante empate com os africanos (mais por causa da exibição do que propriamente pelo resultado), tenho a certeza que os portugueses queriam ouvir outras palavras, nomeadamente uma explicação concreta sobre o facto de a equipa ter tido medo de ir, decidida, em busca da vitória. Isso é que seria um bom tema de análise.

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