Muitos diziam que eram só rumores; que o Inter de José Mourinho é que o iria tirar de Barcelona, que tudo não passava de especulação dos jornalistas. Pois bem, já chegou a confirmação: Deco assinou contrato válido por três temporadas com o Chelsea, clube onde vai reencontrar Paulo Ferreira, Bosingwa, Hilário, Ricardo Carvalho (carece de confirmação, pois também neste caso existem, há muito, informações que o colocam em Itália) e... Scolari.
Não sei se Deco, quando recebeu uma inacreditável dispensa do técnico durante o Europeu (oficialmente para ir a Barcelona tratar de problemas familiares), se encontrou com dirigentes do clube catalão, do emblema londrino ou ambos. Mais: o médio regressou à concentração quando devia e, dentro do campo, ninguém o pode acusar de ter rendido menos por causa da viagem. Aliás, como já aqui disse, defendo que Deco foi o mais regular e influente jogador português no Euro.
Mas, independentemente do desempenho do futebolista na prova - assim como do facto de, efectivamente, poder ter sido dispensado para resolver assuntos urgentes -, o episódio não deixa de ser absurdo. Se Portugal tivesse tido jogo nesse dia ou no seguinte ele teria tido permissão para ir tratar da sua vida? E se o Europeu fosse na Rússia? E se em vez do Europeu estivessemos a falar de um Mundial na África do Sul? O assunto, fosse ele qual fosse, podia ser importante, mas não se tratatando de uma situação de vida ou morte de alguém próximo, não devia ter sido tratado acima dos interesses da Selecção Nacional. Mas, como todos sabemos, não foi esta a única situação em que o colectivo foi relegado para segundo plano. Infelizmente e com as consequências (directas ou indirectas) que sabemos...
Scolari, como recentemente foi assumido por Madaíl, já tinha tudo acertado com o Chelsea antes do Europeu; Deco sabia que o Barcelona não o queria e era também não era segredo que o então seleccionador o desejava em Londres. Até aqui é tudo normal e pacífico. Mas, foi tudo tratado da maneira adequada? Não! Nem um bocadinho...
PS - As novelas em tornos dos apitos continuam na ordem do dia. E uns dias a coisa parece melhor para uns, no dia seguinte mudam de rumo. O que vale tudo isto? Para já... nada, pois qualquer decisão acaba sempre com mais um recurso. Haja paciência!