O mau desempenho de Portugal nos primeiros dois jogos do Campeonato do Mundo colocou Paulo Bento e a FPF debaixo de fogo, mesmo antes de consumada a eliminação. Estas estruturas superprofissionais, que arranjam entre si forma de desfrutarem do “bem-bom” sem qualquer cerimónia ou humildade, não estão preparadas para aguentar uma crítica ou um ambiente menos louvaminheiro, como ficou claro na conferência de imprensa do seleccionador nacional. Estão habituados ao registo (acrítico) do porreirismo nacional. Por isso, cozinham as coisas de modo a satisfazer interesses que nada têm a ver com o interesse nacional. A bandeira que transportam na bagagem resume-se a mais um adereço.
A política de comunicação é outro desastre. Esses onofres-da-vida só tratam bem os jornalistas que lhes cantam a serenata. Quem é que encomendou a catilinária, atabalhoada, imprecisa e contraditória, a Humberto? Foi a Agência ou o assessor-do-reino? Cai um pouco de chuva (cenário da demissão de Bento) e a comitiva constipa-se e entra em delírio, num estado febril. E lá vem o despautério e a arrogância (outra vez).
Aquilo é um círculo com mãos feitas e fechadas em betão armado. Ninguém quer perder os privilégios. Noutros países (Espanha, Inglaterra, Itália) houve lugares colocados à disposição e demissões. Aqui parecem lapas. O (alapado) branqueamento já começou e ainda vão ter o desplante de querer fazer deste Mundial um grande sucesso.