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Opinião
Emanuel Macedo de Medeiros Fundador e CEO Global da SIGA

Depois do maior Mundial de sempre, o maior teste à FIFA

Não tenho por hábito pronunciar-me sobre tudo e mais alguma coisa que acontece na vida institucional do Futebol. Faço-o apenas quando se impõe, em circunstâncias verdadeiramente excecionais, sempre que os factos ultrapassam largamente o episódio que lhes deu origem e convocam questões fundamentais sobre o exercício do poder, a independência das instituições, a boa governança e a integridade do Desporto.

É esse o caso.

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Esta reflexão é feita a título estritamente pessoal, com total independência e sem alinhamento com qualquer fação, coro ou conveniência. Não vincula a SIGA, nem qualquer outra instituição, organização ou pessoa para além de mim próprio. Não me move o propósito de atacar ou defender protagonistas, muito menos o de alimentar uma controvérsia passageira. Move-me uma convicção simples: reconhecer méritos não exige silêncio perante aquilo que suscita legítimas interrogações, do mesmo modo que o exercício responsável da crítica não se confunde com hostilidade.

O escrutínio sério não pertence a nenhum campo. Não é um instrumento de combate, mas uma exigência da boa governança, uma condição da legitimidade e um pressuposto indispensável da confiança. Quando estão em causa instituições com responsabilidades globais, capacidade para influenciar o futuro do Desporto e decisões suscetíveis de afetar milhões de pessoas, o silêncio nem sempre é prudência. Pode, por vezes, tornar-se complacência.

O MAIOR MUNDIAL DE SEMPRE

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O Campeonato do Mundo de 2026 ficará na história como o maior de sempre. Pela primeira vez, 48 seleções participaram na fase final; três países acolheram conjuntamente a competição; milhões de adeptos atravessaram fronteiras, encheram estádios e acompanharam um torneio que confirmou, uma vez mais, a extraordinária capacidade do Futebol para mobilizar povos, culturas e gerações.

A Espanha sagrou-se campeã do mundo, mas o grande vencedor foi também o próprio Futebol. A dimensão desportiva, económica, mediática e social do evento superou tudo o que anteriormente fora alcançado. O Mundial consolidou-se como a maior plataforma global do Desporto e como um dos acontecimentos mais influentes da sociedade contemporânea.

Esse sucesso merece ser reconhecido. Gianni Infantino assumiu a presidência da FIFA num dos períodos mais difíceis da história da organização, quando a sua credibilidade estava profundamente abalada por investigações, escândalos de corrupção e uma crise institucional sem precedentes. Desde então, a FIFA recuperou capacidade financeira, reforçou a sua influência internacional, aumentou substancialmente os recursos distribuídos às federações nacionais, expandiu as suas competições e alargou a presença global do Futebol. O Campeonato do Mundo de 2026 representa, em larga medida, a culminação desse processo. Seria intelectualmente desonesto não o reconhecer.

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Mas o verdadeiro teste de uma instituição não começa quando conquista o sucesso. Começa quando tem de demonstrar que é capaz de exercer, com responsabilidade, o poder que esse sucesso lhe proporcionou. Existe uma diferença essencial entre poder e liderança: o poder mede-se pela capacidade de decidir, influenciar e mobilizar recursos; a liderança mede-se pela forma como esse poder é exercido, pelos limites que voluntariamente aceita e pela disponibilidade para prestar contas.

Terminada a celebração do maior Campeonato do Mundo de sempre, começa agora o maior teste da FIFA: demonstrar que a extraordinária força económica, política e institucional que hoje detém é acompanhada por padrões igualmente elevados de boa governança, independência, integridade, transparência e prestação de contas.

MÉRITO, EXPERIÊNCIA E EXIGÊNCIA

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Conheço bem Gianni Infantino. Muito bem. Há mais de 25 anos. Ao longo de uma década e meia decisiva para a evolução do Futebol Europeu, exerci funções como CEO das Ligas Europeias, enquanto Gianni desempenhava responsabilidades de primeiro plano na UEFA. Trabalhámos diretamente em alguns dos mais importantes dossiers estratégicos do Futebol Profissional Europeu, num quadro de diálogo institucional permanente entre a UEFA, as ligas, os clubes e os jogadores.

Conheci, por isso, muito antes de chegar à presidência da FIFA, o jurista, o negociador, o administrador e o político do Futebol. E digo-o com inteira objetividade: é um profissional de exceção, um administrador de excelência e um profundo conhecedor das realidades políticas, económicas e institucionais do Futebol mundial.

Na relação de deve e haver entre nós, não há contas por saldar. Nunca houve. Não me move qualquer ressentimento, divergência pessoal ou propósito de ajuste de contas. O que aqui escrevo resulta exclusivamente da minha leitura dos factos, da experiência acumulada ao longo de mais de três décadas dedicadas ao Futebol e da convicção de que, quanto maior é o poder exercido por uma instituição, maior deve ser o grau de exigência a que ela própria se submete.

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Reconhecer os méritos de Gianni Infantino não obriga a concluir que a obra está terminada. Pelo contrário: é precisamente porque a FIFA é hoje mais forte, mais influente e mais poderosa do que nunca que se torna legítimo exigir-lhe padrões ainda mais elevados de governança, integridade, transparência e prestação de contas.

As grandes instituições não se distinguem apenas pela dimensão das suas conquistas. Distinguem-se, sobretudo, pela capacidade de aceitar o escrutínio, corrigir as suas vulnerabilidades e demonstrar que ninguém está acima dos princípios que elas próprias exigem aos outros. É aqui que, em meu entender, começa a próxima etapa da evolução da FIFA.

PROXIMIDADE POLÍTICA, DISTÂNCIA INSTITUCIONAL

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O Presidente da FIFA tem, necessariamente, de manter um diálogo permanente com governos, chefes de Estado e líderes políticos. Nenhuma organização desportiva global consegue organizar competições desta dimensão, garantir condições de segurança, assegurar regimes de vistos, coordenar infraestruturas ou mobilizar recursos públicos sem uma relação institucional estreita com os poderes públicos.

O problema nunca esteve nessa proximidade. Surge quando ela, ainda que inteiramente legítima, pode suscitar dúvidas sobre a independência das decisões da própria instituição. Quanto maior é a exposição pública dessa relação, maior é o dever de transparência; quanto maior é a proximidade ao poder político, maior deve ser a distância institucional.

Foi neste contexto que ocorreu o caso disciplinar relativo ao internacional norte-americano Folarin Balogun.

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Vamos aos factos.

O jogador foi expulso num encontro da seleção dos Estados Unidos, ficando automaticamente suspenso para o jogo seguinte. Pouco depois, o Presidente dos Estados Unidos anunciou publicamente ter contactado o Presidente da FIFA a propósito dessa expulsão. Subsequentemente, o órgão disciplinar competente suspendeu a execução da sanção, permitindo que o jogador participasse no encontro seguinte.

A FIFA esclareceu que a decisão tinha fundamento nas suas normas disciplinares. Admitamos, por isso, que existia base regulamentar para a solução adotada. Mas essa constatação não encerra a questão. É precisamente aí que ela começa.

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Não é possível determinar, com base nos elementos publicamente conhecidos, se aquele contacto teve alguma influência, direta ou indireta, na decisão posteriormente adotada. Mas também não é possível ignorar a circunstância em que ocorreu, nem a perceção que inevitavelmente criou.

Um contacto desta natureza, a propósito de uma matéria disciplinar pendente, exigia especiais cautelas institucionais. E, uma vez tornado público, passou a exigir da FIFA uma explicação clara, rigorosa e verificável sobre a forma como a independência do processo foi integralmente salvaguardada.

Quando uma intervenção política é anunciada publicamente e, pouco depois, é adotada uma decisão coincidente com a pretensão manifestada, não basta afirmar que o regulamento permitia essa solução. É indispensável explicar por que motivo aquele poder foi exercido, quem desencadeou o procedimento, quais os critérios aplicados e em que medida a decisão é consistente com a prática disciplinar da própria FIFA.

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A questão não reside apenas na legalidade da decisão, mas na confiança que ela é capaz de inspirar. A independência da justiça desportiva não pode limitar-se a existir: tem de ser visível, demonstrável e capaz de resistir, sem ambiguidades, ao escrutínio público.

AUTONOMIA, RESPONSABILIDADE E ESTADO DE DIREITO

A FIFA exige, justamente, que as suas federações-membro sejam independentes de interferências governamentais indevidas. Quando entende que um governo ultrapassou os limites admissíveis, não hesita em suspender uma federação ou impedir a participação de um país nas suas competições.

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Esse princípio é essencial. Protege o Futebol da instrumentalização política e constitui um dos pilares da autonomia do Desporto. Mas os princípios só têm verdadeira autoridade quando são aplicados de forma universal.

A FIFA não pode ser forte com os fracos e fraca com os fortes.

Uma organização que exige independência às suas federações-membro tem de demonstrar, com o mesmo rigor, que as suas próprias decisões permanecem protegidas de qualquer influência externa, independentemente do país, do Governo ou da personalidade em causa.

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A autonomia do Desporto constitui uma conquista civilizacional. Permite que as organizações desportivas regulem as suas competições, preservem a especificidade do fenómeno desportivo e resolvam, com independência, matérias que lhes são próprias. Mas autonomia nunca significou ausência de responsabilidade, muito menos imunidade ao escrutínio.

A autonomia não coloca as organizações desportivas acima da lei, nem as dispensa do cumprimento dos princípios fundamentais do Estado de direito. Pelo contrário: é precisamente porque lhes são reconhecidos poderes regulatórios, disciplinares, económicos e, em muitos casos, quase jurisdicionais, que sobre elas recai um dever acrescido de transparência, fundamentação, imparcialidade e prestação de contas.

A autonomia do Desporto não é um privilégio. É uma responsabilidade, e essa responsabilidade cresce na razão direta do poder exercido. Não basta decidir bem; é necessário demonstrar que se decidiu de forma independente, imparcial e transparente. É essa demonstração que sustenta a confiança — e é a confiança, mais do que qualquer regulamento ou sanção, que constitui o verdadeiro fundamento da autoridade institucional.

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O ESCRUTÍNIO COMO FATOR DE LEGITIMAÇÃO

Existe ainda uma tendência, demasiado frequente, para encarar o escrutínio independente como uma ameaça à autonomia das organizações desportivas. É um erro. Nas democracias modernas, nenhuma instituição reforça a sua legitimidade procurando reduzir o escrutínio a que está sujeita.

Os bancos centrais reforçam a sua credibilidade através da independência e da transparência das suas decisões. Os tribunais legitimam-se pela fundamentação pública dos seus acórdãos. As empresas cotadas conquistam a confiança dos mercados através de auditorias independentes, mecanismos de controlo interno e rigorosos deveres de prestação de contas. Não existe razão para que o Desporto siga um caminho diferente.

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Quanto maior é a relevância pública de uma organização, maior deve ser a sua disponibilidade para demonstrar que os processos de decisão obedecem aos mais elevados padrões de governança, integridade e transparência. A FIFA conquistou uma posição de liderança singular no panorama desportivo internacional. Essa posição confere-lhe direitos, mas, sobretudo, impõe-lhe responsabilidades.

É precisamente por isso que acredito ter chegado o momento de dar um novo passo: não imposto por terceiros, nem motivado pela pressão mediática, mas voluntário, consciente e estrategicamente inteligente. A verdadeira liderança não espera que a confiança lhe seja concedida; constrói-a, aceitando por iniciativa própria mecanismos independentes de avaliação, verificação e prestação de contas.

As grandes instituições distinguem-se, não pela ausência de controvérsias, mas pela forma como lhes respondem. Os momentos de maior afirmação institucional raramente coincidem com períodos de tranquilidade. São, quase sempre, consequência da capacidade de enfrentar dúvidas legítimas com transparência, independência e sentido de responsabilidade.

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A FIFA encontra-se perante um desses momentos. Não porque esteja em causa a legitimidade da sua liderança, nem porque os extraordinários resultados alcançados nos últimos anos devam ser ignorados. Pelo contrário: é precisamente porque consolidou a sua posição como a mais poderosa organização desportiva do mundo que lhe pode — e deve — ser exigido um padrão de governança correspondente à dimensão da sua influência.

A confiança não se preserva pedindo que as instituições sejam acreditadas. Constrói-se demonstrando, de forma permanente, que as decisões resistem ao mais exigente escrutínio. É essa a diferença entre autoridade formal e autoridade moral: a primeira decorre dos estatutos; a segunda conquista-se todos os dias.

DA EXIGÊNCIA À AÇÃO

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Esta reflexão não é apenas sobre a FIFA, nem sobre um episódio disciplinar. É sobre a credibilidade das instituições que governam o Desporto mundial.

O Futebol tornou-se um fenómeno económico, social, cultural e político de dimensão planetária. As decisões das suas organizações têm impacto muito para além das quatro linhas: influenciam atletas, clubes, patrocinadores, investidores, governos e centenas de milhões de adeptos. Quanto maior é esse impacto, maior deve ser a responsabilidade.

As grandes instituições não são julgadas apenas pelos sucessos que alcançam, mas pela forma como exercem o poder, pela transparência com que explicam as suas decisões e pela disponibilidade para se submeterem, voluntariamente, ao mesmo nível de exigência que reclamam dos outros. É isso que distingue uma organização poderosa de uma instituição verdadeiramente líder.

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A FIFA deveria, por iniciativa própria, submeter os seus sistemas de governança, integridade e transparência a uma avaliação verdadeiramente independente, conduzida segundo critérios públicos, objetivos e verificáveis.

Existem hoje instrumentos capazes de assegurar esse escrutínio. Entre eles encontram-se os Universal Standards on Sport Integrity e o SIRVS — SIGA Independent Rating and Verification System — desenvolvidos precisamente para avaliar, de forma independente e imparcial, a qualidade dos sistemas de governança das organizações desportivas.

A adoção desses padrões e a submissão voluntária a um processo independente de avaliação não constituiriam uma cedência, nem uma resposta defensiva perante os críticos. Constituiriam uma afirmação de liderança.

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Se a FIFA está convicta da robustez dos seus sistemas, uma avaliação verdadeiramente independente apenas poderá reforçar a sua credibilidade. Se existirem aspetos suscetíveis de melhoria, tanto melhor: serão identificados, corrigidos e transformados em novos fatores de confiança.

A reforma das instituições não se faz contra elas. Faz-se com inteligência, coragem, perseverança e sentido institucional. As organizações mais fortes não são as que recusam o escrutínio, mas as que o acolhem como instrumento de melhoria contínua, reforço da legitimidade e consolidação da confiança.

Enquanto CEO Global da SIGA, seria incoerente permanecer em silêncio perante uma questão que convoca precisamente os princípios que a organização existe para promover: boa governança, integridade, transparência, independência, responsabilidade e prestação de contas. Isso não transforma esta reflexão numa posição institucional da SIGA. É apenas o exercício de uma responsabilidade pessoal, decorrente de mais de três décadas dedicadas ao Futebol e da convicção de que as instituições se fortalecem quando aceitam confrontar-se com os mais elevados padrões de exigência.

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O MAIOR LEGADO

O maior Campeonato do Mundo de sempre já pertence à História. O maior teste à FIFA pertence ao futuro.

Não será medido pelo número de espectadores, pelas receitas comerciais ou pela dimensão das suas competições. Será medido pela capacidade de demonstrar que o crescimento do seu poder foi acompanhado pelo fortalecimento da sua governança; que a influência conquistada foi acompanhada por igual independência; e que a confiança que reclama assenta numa cultura de transparência, responsabilidade e prestação de contas.

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Será também medido pela disponibilidade para explicar, de forma clara e rigorosa, as decisões que suscitam legítimas dúvidas, e pela determinação em assegurar que os princípios exigidos às federações-membro são observados, com igual rigor, no centro do seu próprio poder.

Conheço Gianni Infantino há tempo suficiente para saber que não lhe faltam inteligência, visão estratégica, capacidade de trabalho ou determinação. Precisamente por reconhecer a profunda transformação que liderou na FIFA, acredito que este é o momento de dar o passo seguinte.

Organizar o maior Campeonato do Mundo de sempre foi uma extraordinária realização. Garantir que a FIFA se torna também uma referência mundial em governança, integridade e transparência seria um legado histórico.

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Porque o poder nunca justifica menos escrutínio. Justifica sempre mais.

E depois do maior Campeonato do Mundo de sempre, esse é, verdadeiramente, o maior teste à FIFA.

Linha da Frente é um espaço semanal da responsabilidade da Sport Integrity Global Alliance, SIGA

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Por Emanuel Macedo de Medeiros
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