Se ninguém criticasse o Record, todos nós ficaríamos muito preocupados. Como não é o que acontece, vemos isso como um sinal de que o jornal está vivo e que as opiniões aqui expressas contam. Há portistas que acham que somos contra o FCP. É verdade, quando é preciso, somos. Mas quando o Boavista vai ganhar ao Dragão com um golo irregular de Cafu, é o Record que o diz na 1.ª página.
Há antibenfiquistas que nos acusam de sermos "vermelhos". É verdade, quando é preciso, somos. Mas quando o Benfica ganha ao Estoril graças a uma grande penalidade resultante de falta inexistente, é o Record que o expressa na 1.ª página - quando outros se refugiam em termos ambíguos ou pura e simplesmente fingem que não aconteceu nada. Como há sportinguistas que nos julgam inimigos do seu clube porque não damos a Liedson o golo que Liedson não marcou, ou como há alérgicos ao verde que julgam haver no Record uma linha directa para Alvalade.
É bom que todos os fanáticos nos acusem de parcialidade e, melhor ainda, que a grande maioria dos leitores continue a preferir este jornal. Olhem, a mim o que de facto me rala é que o Belenenses já está só a 3 pontos da zona de descida. Só aí é que eu não consigo ser imparcial...
Costinha
Passou já quase uma semana sobre a tentativa de detenção de Pinto da Costa, mas não gostaria de deixar passar em claro a atitude que confirma a estatura moral de Costinha - e escrevo "confirma" porque já não é a primeira vez que o jogador mostra ser um homem livre num país de cobardes e de prisioneiros. O médio portista, ao invés de fazer o que faz a maioria dos seus pares (e não só) - que se submete à lei do silêncio reinante neste ambiente inquinado da futebolite aguda - encarou os jornalistas para elogiar o seu presidente. Não duvido que Pinto da Costa tenha muitos amigos dispostos a defendê-lo. Mas como Costinha não terá assim tantos. É que não há...
Sá Pinto
Infelizmente, Ricardo Sá Pinto já não é o mesmo e duvida-se que o torne a ser. Quero dizer: será difícil que volte a jogar ao nível a que nos habituou ou que insista em atitudes irreflectidas como as de outros tempos. Mas o avançado leonino não é passado. Por um lado, continua a manter uma excelente relação com os adeptos do seu clube, que adoram o seu estilo denodado, que revela um apurado sentido do dever e um incomum apego ao emblema. Por outro, mantém-se uma referência para os companheiros, não perdendo uma oportunidade de os incentivar. Quando, em Coimbra, o brasileiro Rogério obteve o golo do triunfo sportinguista, quem correu a abraçar, junto ao banco? Sá Pinto, claro.
Karadas
Não adianta chorar porque o tempo não volta para trás... Estávamos todos habituados a desconfiar dos espanhóis, dos indianos, dos africanos, dos chineses, dos italianos, dos romenos, dos ucranianos, dos brasileiros e, sempre na primeira linha, dos próprios portugueses e deste nosso estilo "aciganado" - com o devido respeito, claro - que sempre arranja maneira de se mostrar mestre no desenrascanço. Tínhamos de estar a pau antes de mais uns com os outros! Agora já não, o Mundo evoluiu e a arte da sobrevivência alargou-se a todos os povos. Veja-se o estado em que deve estar o árbitro Paulo Pereira, que desceu de Viana à Luz para ser enganado por um... norueguês! Ao que chegámos...
Em nome do líder
Tudo já foi dito sobre a capacidade do plantel que a legítima ambição de Mourinho deixou amputado e que Pinto da Costa não só evitou que fosse mais atingido, como refez com a sagacidade que se lhe reconhece. Tudo? Não. Ainda não se sabia que uma equipa que teve de levar com a esclerose de Del Neri, que se tem visto e desejado para encontrar o ponto de equilíbrio e o pragmatismo que corresponda à inegável classe dos seus futebolistas, e que vinha de duas dolorosas derrotas consecutivas no seu terreno, tivesse ainda, tão poderosamente activa, a força psicológica que Mourinho lhe inculcou e que não pôde levar com ele. E à garra que é timbre de jogadores como Jorge Costa, Costinha ou Maniche juntou-se ontem o talento de Diego e o "instinto assassino" que a Europa bem conhece e que andou por aí à procura de quem o quisesse: o do sempre precioso McCarthy, o homem dos golos "impossíveis". Mas ontem, para construir mais um triunfo histórico, o FC Porto teve ainda um aliado inesperado... Nada menos do que a juíza Ana Nogueira que, ao reter Pinto da Costa no Tribunal de Gondomar, impediu a sua habitual presença no Dragão. E o bicho, azul de raiva, soltou-se para dar a vitória ao líder.
Jesualdo
O treinador do Sp. Braga tem um percurso profissional que fala por si e uma postura no futebol bem acima da média. Esta época, Jesualdo parece começar a colher os frutos do seu trabalho à frente dos arsenalistas, já que a equipa está apenas a 3 pontos dos líderes da SuperLiga após a 13.ª jornada. Mas esse "apenas" é também o sinal de um desapontamento que atingirá em primeiro lugar o próprio Jesualdo Ferreira. É que se a derrota em casa frente ao V. Setúbal ainda pode ter sido "digerível", já este desenlace negativo com o antes modesto Penafiel surge como desesperante. Afinal, a vitória colocaria os bracarenses no topo da tabela a par de FC Porto e Benfica... O que trará a visita a Alvalade?