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Dias de coragem

Coragem e lucidez. Eis a melhor forma de definir a entrevista concedida pelo presidente do Sporting, Dias da Cunha, à colunista Record, Judite de Sousa.

Aproveitando para explicar os chaimites, o líder leonino falou de coisas de que muitos suspeitam e dos assuntos que mais são falados nos bastidores do futebol nacional. E apontou o dedo a dois dos dirigentes mais antigos: Pinto da Costa e Valentim Loureiro.

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As denúncias de Dias da Cunha vão mais longe. E juntando às palavras do presidente as já muito badaladas declarações de Maria José Morgado, não seria, de facto, altura de o Ministério Público meter mãos à obra e limpar o que há muito precisa de mudanças?

Neste ponto, confesso, estou de acordo com Dias da Cunha. Acredito que há corrupção no futebol português. Acredito que há dinheiro sujo. Agora, uma coisa é acreditar, outra é ter provas. Essas, só a Judiciária poderá conseguir. Mas não me esqueço dos quinhentinhos, da estranha viagem de Carlos Calheiros ao Brasil, de Francisco Silva e José Guímaro, ou mesmo do caso N'Dinga.

Uma coisa é certa. Nada será como dantes. Pinto da Costa não vai perdoar a Dias da Cunha. O presidente do Sporting escolheu uma nova via. Os leões vão continuar a tentar a levar a sua avante, mas sem alianças ao FC Porto. Haverá uma com o Benfica? Parece-me difícil. Interesses e discursos não coincidem. O verde vai caminhar sozinho. Contra muitos inimigos... identificados.

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