Dirigentes

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Podemos pensar assim: esta gente passa-se? Que Ronaldo tenha feito um gesto provocatório ao árbitro que tinha acabado de mostrar-lhe um cartão amarelo, dizendo "Mateu, gostas é?", não lembra ao diabo. Mas que depois o presidente da Liga espanhola tenha afirmado que "se Ronaldo mexeu nos testículos deve ser sancionado", é ainda mais ridículo. Felizmente, não aconteceu em Portugal.

Estes casos em Espanha não são propriamente "fait divers", mas a demonstração de como espíritos pouco esclarecidos fazem de uma matéria puramente disciplinar uma conversa sobre pudor. E a história é aqui trazida não para dizer que Ronaldo não anda bom da cabeça (embora continue a andar bem das pernas), mas para falar de outro dirigente, português, Fernando Gomes. Jamais teria uma conversa deste género. Na semana em que o presidente da Federação foi eleito para o comité executivo da UEFA, vale a pena deixar um reconhecimento a quem tem ganho reconhecimento internacional.

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Atentemos: Fernando Santos viu esta semana o Tribunal Arbitral do Desporto reduzir-lhe o castigo de oito para dois jogos (mais dois com pena suspensa). Não correu mal. Apesar de Fernando Gomes ter afirmado que esperava que o castigo fosse anulado é indisfarçável que respirou de alívio. Foi nessas condições que Gomes contratou Santos: correndo o risco de ver o selecionador fora do banco durante o Europeu. E isso demonstra liderança: se Fernando Santos ficasse fora do banco, hoje perguntaríamos por que raio a Federação o foi buscar nessas condições. Temos homem. E não é preciso falar de testículos.

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